A América Central está a caminho de se tornar o maior centro logístico do mundo, quando for concluída, em 2019, a construção do Canal da Nicarágua. A via marítima, que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico, será complementar ao Canal do Panamá (que também permite o acesso entre os dois oceanos), pois atende rotas e embarcações distintas. A análise é do secretário-executivo da Comissão do Grande Canal Interoceânico da Nicarágua, Paul Oquist, e foi apresentada em um recente fórum sobre infraestrutura no Panamá.
Segundo Oquist, o empreendimento “é bom para o desenvolvimento de toda a região”. Após o seminário, ao ser questionado por jornalistas, afirmou que “o importante aqui é que a América Central pode ser, entre o Panamá e a Nicarágua, o grande centro logístico do mundo neste século”. Mas várias entidades e analistas consideram que a América Central tem um grande déficit em infraestrutura que pode limitar a exploração da região como centro logístico.
O novo canal “abre oportunidades de trabalho e negócios” para a nação e o mundo, assegurou Oquist. Ele ainda informou que, especificamente, a construção da via interoceânica começará “no final do ano”.
Em dezembro passado, o governo da Nicarágua iniciou as obras para a implantação do canal de 278 quilômetros de extensão, três vezes maior do que o Canal de Panamá (80 quilômetros). O projeto ainda inclui a implantação de dois portos, um aeroporto, uma zona franca, um complexo turístico e um habitacional.
Os trabalhos, estimados em US$ 50 bilhões (R$ 141,55 bilhões, com base no valor do dólar na última sexta-feira), quase cinco vezes o PIB da Nicarágua, serão concluídos em quatro anos. A partir de então, o canal poderá receber navios de até 25 mil contêineres, um tipo de embarcação que ainda não existe. No mês passado, foi anunciado o início da fabricação de cargueiros de 20 mil TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés).
Atualmente, o Canal do Panamá, por onde passam 5% do comércio marítimo mundial, encontra-se em fase de expansão. Essa ampliação, que será entregue no próximo ano, permitirá que a via marítima receba navios de 14 mil contêineres, o triplo da capacidade atual.
Os principais clientes da rota panamenha, que recebeu 326 milhões de toneladas de cargas no ano passado, são os Estados Unidos e a China. O administrador do Canal do Panamá, Jorge Quijano, admitiu, semanas atrás, que pode sofrer uma redução de até 30% em seu trânsito de navios, com o início das operações da via nicaraguense.
Para o secretário-executivo da Comissão do Grande Canal Interoceânico da Nicarágua, Paul Oquist, apenas quando os estudos de viabilidade do empreendimento forem concluídos, será possível de terminar os impactos sobre a economia regional. Essa análise está sendo preparada pelo grupo chinês HKND, que recebeu, em junho de 2013, do governo do país, a concessão para construir e administrar o canal por 50 anos. O prazo pode ser prorrogado por igual período.
Segundo autoridades nicaraguenses, com a via interoceânica, a nação pretende atrair para a América Central outros 5%do comércio marítimo mundial e, nos primeiros anos de operação do empreendimento, espera ampliar seu crescimento econômico anual médio de 4,5% a 10%.
Fonte: A Tribuna