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Pesquisa busca agilizar acesso de caminhões a terminais do Porto

Agilizar a entrada de caminhões nos terminais de contêineres do Porto de Santos é o objetivo do projeto coordenado por professores do curso de Gestão Portuária da Faculdade de Tecnologia (Fatec) Baixada Santista – Rubens Lara, que fica em Santos, no bairro da Aparecida. Com etiquetas eletrônicas instaladas nos caminhões, os docentes buscam liberar a entrada desses veículos nos gates (portões) de acesso às instalações e ainda guardar as principais informações da carga. Em uma segunda etapa, o plano é disponibilizar esses dados para empresas interessadas em localizar as mercadorias ou os autos.

A primeira fase do projeto já está em testes. Os pesquisadores trabalham em uma maquete. Nela, buscam verificar se é possível, com a instalação de um leitor de radiofrequência no solo, liberar o acesso de um caminhão nos gates. O equipamento fará a leitura das informações contidas na etiqueta eletrônica fixada no veículo.

A pesquisa envolve três docentes. Dois deles são do curso de Gestão Portuária. Mário de Souza Nogueira Neto é responsável pela disciplina Gestão de Produção e Operações e Renato Márcio dos Santos, por Sistema Portuário Brasileiro.

O terceiro, André Vizini, atua no curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, onde estuda o aluno Luiz Henrique Moreira Barbosa, que também participa do projeto. Além da parte tecnológica, eles trabalharam no desenvolvimento da maquete que testa a viabilidade dos equipamentos.

De acordo com os professores, o projeto começou com a identificação de um problema já conhecido no Porto de Santos: a demora no acesso dos caminhões aos terminais portuários. A questão é motivo de discussão entre caminhoneiros e empresas, já que os motoristas pedem o pagamento de estadia por conta dos longos períodos de espera para entrar nas instalações. Para eles, a demora ocorre, principalmente, na liberação da entrada dos veículos. Com isso, além da perda de tempo, os condutores reduzem o número de viagens que podem fazer em um dia e, consequentemente, seu ganho.

“É bom lembrar que a tecnologia já existe no mercado. Nosso objetivo é ampliar seu benefício com a utilização portuária. Não estamos reinventando a pólvora, mas fazendo uma aplicação de uma tecnologia existente. O fato é que, se ninguém fizer, a gente fica parado no tempo”, disse o professor Renato dos Santos.

Radiofrequência

A tecnologia utilizada no projeto é a de identificação por radiofrequência ou RFID (sigla em inglês de Radio Frequency Identification. Trata-se de um método de reconhecimento automático através de sinais de rádio, lendo dados armazenados em etiquetas.

O estudo analisa como seria a operação com a instalação dessas etiquetas nos caminhões que seguem em direção ao Porto. No cenário avaliado, assim que o veículo se aproxima do gate do terminal, ocorre a leitura das informações. Os dados inseridos podem ser as características físicas e descrições das mercadorias, além de números de documentos como notas fiscais.

“Este tipo de equipamento garante uma agilidade maior na carga e na descarga. Provavelmente vai reduzir o tempo de espera, as filas e a questão da confiabilidade da informação. Toda vez que você evita digitar um dado, você obviamente está se certificando que essa é uma operação confiável”, explicou o professor Mario de Souza.

Mas segundo os docentes, o fato de a digitação de dados nos ate passar a ser um item dispensável, para liberar o acesso de caminhões, não significa que a tecnologia poderá substituir um operador.

“As pessoas pensam que, com tecnologia, você desemprega o trabalhador e isso não é verdade. Está mais do que provado que, quando você emprega tecnologia, emprega pessoas qualificadas para poder dar suporte naquela tecnologia. A gente precisa tirar do mercado essa visão. Você força aquele trabalhador que já está lá naquela área, que é o especialista naquela operação, a se adequar. E, poderá até receber salários melhores”, destacou o professor Renato Márcio dos Santos.

Fonte: A Tribuna