Segundo analista da Conab, um dos fatores responsáveis por esse resultado positivo foram as ações de políticas agrícolas executadas ao longo deste ano
Os produtos da safra brasileira de grãos apresentaram maior competitividade frente ao mercado internacional. Segundo explica o analista da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Thomé Guth, um dos fatores responsáveis por esse resultado positivo foi não só o câmbio, mas também as ações de políticas agrícolas executadas ao longo deste ano, conduzidas pelo governo federal e implementadas pelo Ministério da Agricultura e pela Conab. “Isso possibilitou o desenvolvimento da nova safra dentro da normalidade, com acesso à política de financiamento, aquisição de insumos e ações de apoio à comercialização em curso”.
Além disso, explicou Guth, a chegada de novos players a esse mercado – além da ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus – trouxe maiores investimentos privados em áreas portuárias. Como exemplo ele cita a Região do Arco Norte do país, “que ajudou a diminuir o peso sobre os portos de Santos e Paranaguá, bem como o custo do transporte, garantindo melhores preços internos e melhor rentabilidade”.
Outro fator determinante, disse o analista, foi a recuperação da moeda norte-americana, que encareceu os grãos produzidos nos Estados Unidos, um forte concorrente do Brasil, o que permitiu posicionar a produção brasileira em diferentes mercados com boa margem competitiva, como por exemplo, o de grãos como milho e soja. “Contudo, os preços dos produtos aos agricultores apresentam um cenário bastante positivo, mesmo com a expectativa de uma maior oferta na safra de grãos no país, a partir da colheita de mais uma safra recorde, muito mais pela relação cambial dólar/real favorável à moeda norte-americana do que pelas cotações atuais na Bolsa de Chicago”, ressalta.
Segundo ele, é possível que, diante da certeza de que há um espaço cada vez maior para os produtos agrícolas brasileiros, o Brasil invista cada vez mais em infraestrutura logística. “Tanto de escoamento quanto portuária, permitindo que os custos logísticos sejam menores e que os embarques ocorram sempre dentro da programação prevista, sem riscos de atrasos, no intuito de manter e ampliar a participação de mercado do país”, destaca.
A estimativa da Conab para a safra de grãos 2015/2016, segundo Guth, está estimada entre 208,6 e 212,9 milhões de toneladas, com uma variação que pode chegar até 4.384 mil t, 2,1% acima da safra 2014/15, quando registrou 208,5 milhões de toneladas. “Mais uma vez, a soja será o principal produto do Brasil, com expectativa de aumento da produção. No caso do milho, há uma expectativa em relação à 2ª safra, visto que boa parte da área estimada já foi comercializada de forma antecipada e com bons preços. Espera-se que as exportações continuem aquecidas, mesmo que haja uma possível retração do dólar para 2016”, finaliza.
Fonte: Guia Marítimo.