Crescimento no fornecimento de eletricidade será possível a partir de acordo entre a Codesp e a CPFL
Em cerca de dois anos, a oferta de energia elétrica para o Porto de Santos será ampliada em 52%, de 23 para 35 megawatts. Isto será possível com a construção de uma nova subestação da concessionária de energia CPFL no Macuco. na Margem Direita do complexo. Com essa unidade, no futuro, o total oferecido aos terminais poderá chegar a 95 megawatts. O investimento estimado é de R$ 10 milhões, segundo a CPFL.
“Houve um acordo no qual a Codesp cedeu uma área para que a CPFL instale uma subestação que aumente a carga (elétrica ofertada no complexo marítimo). A demanda do Porto vai aumentar e, hoje, estamos operando praticamente no limite. Então nós precisamos, em um prazo muito curto, de melhores opções para o nosso abastecimento”, destacou o diretor de Engenharia da Codesp, Antônio de Pádua de Deus Andrade.
Atualmente, dos 23 megawatts consumidos pelas instalações do Porto, 15 (mais de 65%) vêm a Usina Hidrelétrica de Itatinga, de propriedade da Docas e localizada em Bertioga. Os oito megawatts (quase 35%) restantes são obtidos por concessionárias de energia elétrica, cujos sistemas de transmissão chegam ao complexo e estão interligados com os da Docas.
Na Margem Direita (Santos), a compensação é feita pela CPFL. Na Margem Esquerda (o Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, e Área Continental de Santos), as redes são segregadas e os terminais recebem energia das concessionárias CPFL e Elektro, além da usina.
Como Itatinga não tem capacidade para expandir sua produção de energia elétrica e o Porto tem ampliado o consumo, por conta do aumento da automatização das operações, garantir a oferta de eletricidade passou a ser uma questão estratégica no cais santista.
Segundo a CPFL, atualmente, ela tem como fornecer apenas 8 megawatts às instalações do Porto. Com a construção da nova subestação, em uma área cedida pela Docas, a concessionária poderá ampliar, até 2017, o fornecimento para 20 megawatts. Em uma segunda etapa, ainda sem previsão para ser implantada, o fornecimento pode ser ampliado para 80 megawatts.
A área cedida tem 3,7 mil metros quadrados e fica na Rua Conselheiro João Alfredo, no Macuco. Hoje, é utilizada por um depósito de sucatas. Ela poderá ser explorada pela CPFL por mais 13 anos, até 2028, quando se encerra o contrato da concessionária, com possibilidade de renovação.
“Hoje, nós estamos operando com 23 megawatts. Vamos passar para 35 e vamos ficar capacitados para 95. Olha o que nós estamos preparando para o futuro”, destacou o diretor de Engenharia.
Projeto
A concessionária terá um ano para a elaboração do projeto-executivo da nova subestação do Porto de Santos. A expectativa, segundo a empresa, é concluir o empreendimento até dezembro de 2017.
“A gente está resolvendo um problema do passado, nos atualizando, tendo uma certa folga e nos preparando para, daqui a muito tempo, estar com tranquilidade para o fornecimento de energia”, destacou o diretor da Docas.
Risco de Pane
O executivo explica que este aumento na capacidade de fornecimento de energia elétrica também é de “grande importância” em caso de alguma pane na Usina de Itatinga, que já tem 105 anos.
Hoje, quando há problemas na hidrelétrica, técnicos da Codesp precisam definir quais áreas do complexo vão receber a energia disponível, insuficiente para todos. Em um dia de chuva, por exemplo, se ocorre a interrupção no fornecimento de Itatinga, a Autoridade Portuária acaba priorizando os terminais de contêineres, pois os graneleiros não operam quando chove. Com a nova subestação, esse risco é eliminado.
Transmissão
Segundo Antônio de Pádua de Deus Andrade, os cabos de energia necessários para a transmissão dessa nova carga foram instalados durante a construção da Avenida Perimetral da Margem Direita do Porto de Santos. “Todas as compatibilizações e estudos de viabilidade já foram feitos e, hoje, estamos apenas colocando em prática aquilo que já foi planejado”, explicou.
De acordo com o diretor da Docas, quando a obra da nova subestação for concluída, a instalação atual, que funciona nas proximidades, será desativada. Ela será reformada e, depois desses trabalhos, a instalação poderá ser modernizada para atuar no fornecimento de energia elétrica na região.
Fonte: A Tribuna.