Com os baixíssimos valores praticados, produtores não se animam a aumentar áreas de plantio desde 2014, enquanto estoques mundiais batem recordes
Embora não seja o melhor dos cenários, a baixa cotação das commodities brasileiras no mercado internacional têm sido, em parte, compensadas pela alta do câmbio. Com o trigo, não está sendo diferente: o preço médio mensal recebido pelos triticultores paulistas, em janeiro de 2016, foi de R$ 42,14 por saca de 60 kg, um valor bem abaixo dos preços então vigentes no período de janeiro de 2013 a junho de 2014, quando a empolgação pelos altos preços negociados levou os produtores a expandir as áreas de plantio.
Em relatório enviado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o IEA (Instituto de Economia Agrícola) traçou a trajetória das cotações do trigo na Bolsa de Chicago nos últimos anos e chegou ao impressionante registro de queda nos valores de até 41%.
Em 2015, os produtores aumentaram apenas 3,4% da área plantada, depois de haver expandido sua produção em 51% e 36%, respectivamente, em 2013 e 2014. A época de plantio do trigo no Estado de São Paulo normalmente vai até maio. Porém, com a conjuntura desfavorável de 2016, o pesquisador da Secretaria, que atua no IEA, José Roberto da Silva, diz acreditar que a desvalorização do real poderá onerar ainda mais os custos de produção em relação aos anos anteriores, notadamente os de insumos.
Enquanto isso, os estoques mundiais de trigo deverão atingir o volume recorde de 238,9 milhões de toneladas para a safra 2015/16, segundo projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
“Em São Paulo, a cultura do milho de 2ª safra (safrinha) é a principal concorrente do trigo, por área, e a disparada dos preços fazem do milho o favorito nesse momento. Contudo, os riscos de frustração na cultura aumentam conforme sua semeadura se aproxima do final do período recomendado, de janeiro a abril. A partir de então, o trigo passa a ser a alternativa mais viável. A necessidade de formação de palha para o plantio direto faz com que muitos agricultores optem pelo trigo, mesmo quando a conjuntura do mercado não se encontre favorável”, aponta o pesquisador.
Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, destaca que os levantamentos de preços, realizados pelo IEA, são importantes balizadores para o governo e também para o mercado. “A análise da evolução dos preços, juntamente com outras informações produzidas pelo Instituto, ajudam na elaboração de políticas públicas mais eficientes para o setor. Orientados por Geraldo Alckmin estamos cada vez mais próximos do produtor”, destacou.
A situação é ainda mais preocupante quando assumimos, como uma das importantes variáveis do preço da commodity no mercado internacional, os altos custos com a logística, o que é o trabalho primordial do Guia Marítimo. De acordo com Martin von Simson, diretor do Grupo Guia, enquanto ainda cobramos US$ 195 por tonelada para exportar a soja, por exemplo, o valor praticado pelos Estados Unidos chega a US$ 25. A diferença, segundo ele, passa pelas metas de eficiência, produtividade, infraestrutura e, por conseguinte, combate à corrupção. “Logística é cortar custos”, afirma Martin von Simson. “E perdas”.
Fonte: Guia Marítimo.