Foi o maior exercício do tipo feito no Porto de Santos
Em 12 minutos, técnicos do Terminal de Contêineres (Tecon) do Porto de Santos, que fica na Margem Esquerda (Guarujá), identificaram um contêiner avariado, carregado com isocianato de fenila, no pátio da instalação. Também planejaram a retirada da caixa metálica comprometida e de outras cargas com potencial explosivo. Este foi um dos tempos de resposta do maior simulado de combate a incêndio da história do Porto de Santos, que ocorreu na terça-feira (13) e reuniu mais de 20 órgãos e 250 pessoas que atuam no cais santista.
Para técnicos, a disponibilidade de informações sobre as cargas armazenadas foi um diferencial na resposta ao “sinistro”, na terça-feira (13).
Recentemente, o Porto foi o cenário de dois grandes incêndios, envolvendo carregamentos químicos ou explosivos. Em abril do ano passado, tanques do terminal da Ultracargo, na Alemoa, em Santos, foram destruídos pelas chamas. O sinistro levou nove dias para ser controlado e foi considerado a maior ocorrência deste tipo no País.
Em janeiro deste ano, no terminal retroportuário da Localfrio, na Margem Esquerda, os bombeiros tiveram dificuldade para combater o incêndio devido à falta de dados sobre as cargas consumidas pelas chamas. Este é um dos problemas que as autoridades pretendem solucionar. Para isso, ontem, foi simulado um incidente com vazamento de um produto químico em um contêiner avariado. No exercício, dois trabalhadores ficaram feridos e precisaram ser removidos.
As respostas das empresas e das autoridades foram supervisionadas através do Plano de Auxílio Mútuo (PAM) do Porto, coordenado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e que reúne terminais, prefeituras da região, o Corpo de Bombeiros e órgãos ambientais.
“Em 12 minutos, identificamos outro produto que poderia agravar a ocorrência. Foi montado um planejamento em torno desse produto e demoramos 50 minutos para pegá-lo. Ainda tínhamos 32 contêineres à frente pra poder acessá-lo e tirar da ocorrência”, explicou o gerente de Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Santos Brasil, Hemerson Braga.
O tempo de resposta foi possível porque, no Tecon, é utilizado um sistema de programação que indica exatamente o local onde os contêineres devem ser armazenados nos pátios. Tudo é feito respeitando as normas de segregação de mercadorias, de acordo com a empresa.
Segundo Braga, no simulado e em um evento real, a pilha de contêineres mais próxima da caixa metálica avariada é sacrificada. Já as outras no entorno são resfriadas pelos brigadistas do terminal e, posteriormente, pelos bombeiros, que demoraram cerca de cinco minutos para chegar ao local. Dez viaturas e 30 oficiais participaram da ação.
“Primeiro, a gente faz o controle das vítimas no local. Depois, o fechamento das comportas para preservar o meio ambiente e, em seguida, a gente ataca a parte de materiais, tanto da empresa quanto do cliente. O cliente envolvido na situação é acionado e é informado que a carga dele está naquele evento”, explicou Braga.

Funcionários do Tecon carregam mangueira que foi utilizada no bombeamento de água do mar (Foto: Carlos Nogueira/A Tribuna)
Análise
“O simulado mostra que há uma integração entre os órgãos, uma sincronia. Os nossos tempos imediatos, que calculávamos em 3 minutos, conseguimos deixar em 2,5 minutos. Significa que nós temos campo para melhorar”, destacou o diretor-presidente da Codesp, José Alex Oliva.
Agora, os procedimentos e tempos do exercício serão mapeados pela equipe técnica da Docas. A partir daí, o presidente pretende fazer um novo plano de melhorias.
“A importância disso é, efetivamente, você estar preparado no momento de uma ocorrência – que você nunca sabe quando pode acontecer. Todos processos de uma empresa são para evitar que isso aconteça, mas na ocorrência, você precisa estar preparado, organizado na resposta para ter o menor impacto possível”, destacou o diretor de Operações Portuárias e Logísticas da Santos Brasil, Ricardo Molitzas.
‘Vazamento e feridos’
A parte prática do simulado do Plano de Auxílio Mútuo (PAM) do Porto de Santos começou às 10h40, com o “vazamento” de isocianato de fenila,armazenado em um contêiner. O material é utilizado na indústria farmacêutica e tem um poder de combustão maior do que o álcool e a gasolina. O exercício acabou por volta do meio-dia
Inicialmente, o contêiner com o produto foi levado até uma pilha de armazenagem. Depois, foi colocado em contato com outros produtos, o que desencadeou, no exercício, cinco explosões e um incêndio. A simulação também contou com o resgate de duas vítimas: o motorista de um caminhão e um operador de RTG (guindaste que movimenta o contêiner no pátio).
O primeiro entrou em pânico durante o acidente e fraturou o braço. Já o segundo se acidentou durante a descida do equipamento, lesionando as costas. Ele precisou ser removido de rapel pelo Corpo de Bombeiros.
O incêndio também foi combatido pela embarcação Governador Fleury, que captou água do mar. A logística de combate ao fogo foi possível graças às mangueiras da Transpetro. As comportas do terminal precisaram ser fechadas para evitar a poluição do estuário.
Participaram da ação o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, o Insituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Cetesb, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o Exército e a Aeronáutica, além de prefeituras da região.
Fonte: A Tribuna.