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AEB pede cautela na análise de eventual participação do Brasil em megaprojeto da China

Ao mesmo tempo em que faz uma defesa intransigente da realização de esforços pelo governo brasileiro visando atrair investimentos chineses principalmente para os múltiplos e gigantescos projetos de infraestrutura dos quais o Brasil tanto necessita, o presidente da AEB  analisa com cautela a possibilidade de o governo brasileiro vir a acertar sua adesão ao “Belt and Road Initiative”, ou “Um cinturão, uma rota”, iniciativa lançada pelo presidente Xi Jinping para ligar a Ásia, Oriente Médio, Europa e África por meio de ferrovias, portos e outras obras de infraestrutura.

 

A  expansão do projeto para a América Latina seria, na visão de fontes do governo de Pequim, uma prioridade para a China. Segundo dados divulgados pelo governo chinês,  Pequim pretende investir a astronômica cifra de US$ 1 trilhão no financiamento desses projetos. O Chile foi o primeiro país da América Latina a aderir formalmente ao megaprojeto chinês.

 

Em sua análise sobre a participação do Brasil nessa iniciativa, José Augusto de Castro afirmou que “em minha opinião, é melhor não tomar nenhuma decisão neste momento”.

 

E justificou: “o governo brasileiro busca aprovar no Congresso Nacional uma reforma da Previdência  e ainda que não faça uma reforma tributária, que seria muito difícil de se aprovar concomitantemente com a reforma previdenciária, deve-se alcançar a simplificação tributária e se isto acontecer, o Brasil continuará atraindo investimentos estrangeiros para projetos de infraestrutura e aí nós teremos mais competitividade do que temos hoje.Nesse contexto, uma eventual participação na “Um cinturão, uma rota” deve ser avaliada com o cuidado que o tema requer e sem açodamento”.

 

Em entrevista ao jornal O Globo, em meados de abril, o embaixador da China em Brasília, Yang Wanming, afirmou que “a iniciativa Um cinturão, uma rota” está em sintonia com os conceitos do novo governo brasileiro de alavancar o crescimento através do investimento, fortalecer o alicerce do desenvolvimento com a infraestrutura e aumentar a competitividade mediante inovação tecnológica. Podemos estudar a coordenação das estratégias de desenvolvimento os dois lados, afim de trazer maior progresso para as relações sino-brasileiras”.

 

O embaixador  Yang Wanming afirmou ainda que “de agora em diante, podemos alinhar ainda mais a iniciativa “Um cinturão, uma rota” com as estratégias brasileiras de crescimento, como o Programa de Parceria de Investimentos, com o intuito de explorar melhor o potencial em setores de infraestrutura, como portos, ferrovias, processamento de produtos agrícolas, manufatura avançada, energia e petróleo e gás”.

 

Poucas semanas depois de conceder essa entrevista, o embaixador chinês participou, em Brasília, do “Fórum de Think Tanks Brasil-China”, que reuniu acadêmicos, diplomatas, profissionais de diversas áreas de atuação e conhecimento do Brasil relacionados às questões sino-brasileiras. Na oportunidade, o diplomata destacou o momento estável e satisfatório da relação com o Brasil, tendo como perspectiva diversos encontros de alto nível entre autoridades dos dois países no decorrer deste ano.

 

A iniciativa  “Um cinturão, uma rota” também foi abordada pelo ex-embaixador chinês no Brasil, Li Jinzhang. Em mensagem encaminhada aos participantes do Fórum, ele afirmou que “dos mil projetos em andamento hoje nessa iniciativa, cem estão localizados na América Latina. É uma chance real de progresso para todos os participantes, num plano que engloba inovação cientifica e tecnológica  oportunidades estratégicas de desenvolvimento”.

 

Fonte: Comex do Brasil