Banner página

Notícias

Notícias

Para presidente do BC, três grandes problemas desafiam economia global e afetam o Brasil

Campos Neto aponta como problemas a guerra comercial deflagrada por Trump; as incertezas geradas na economia por esse comportamento; e o envelhecimento da população europeia.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, diz identificar três grandes problemas que desafiam a economia global e afetam diretamente o Brasil.

O mais visível e inquietante é a guerra comercial deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A princípio, segundo Campos Neto, se pensava tratar de algo focado na China, no México e em parte da Europa.

Mas a escalada da guerra comercial continua, e os efeitos negativos na economia global vão se espalhando. Ainda não se tem horizonte dos efeitos nem as condições que poderiam levar a uma trégua, normalizando as relações comerciais.

Outro problema que vem chamando a atenção dos economistas e mencionado por Campos Neto: o envelhecimento da população europeia, processo desafiador para o crescimento dos países da região.

“Já se fala num processo de japoneização da Europa”, disse Campos Neto, em um seminário organizado pelo jornal “Correio Braziliense”.

No Japão, como se sabe, a economia vive prolongada estagnação, causada sobretudo pelo envelhecimento de sua população.

O terceiro ponto mencionado por Campos Neto está no campo da geopolítica. O que afinal resultará dessas ondas de choque mundo afora, provocadas pelas ações intempestivas de Trump.

Nesse contexto, ele se pergunta: “O que virá por aí?”. A única certeza é de que teremos baixo crescimento econômico, com rebaixamento geral das expectativas de desempenho de praticamente todas as economias do planeta.

Outra ponto: quando os Estados Unidos começaram a sobretaxar importações, especialmente da China, se imaginava que o efeito seria um pouco mais de inflação. E que mais inflação poderia levar à alta da taxa de juros nos EUA e nas demais economias desenvolvidas.

Aconteceu o contrário. Inflação abaixo da meta refletindo fragilidade da atividade econômica.

Se a inflação está abaixo da meta e a economia perde fôlego, o que podem fazer os Bancos Centrais e os governos? A taxa de juros já está negativa em várias partes do mundo(Europa e Japão). Portanto, a taxa de juros deixou de ser um instrumento manejável para estimular a atividade econômica.

Compra de títulos públicos

Outra opção seria voltar à fórmula de irrigar a economia por meio da compra, pelos Bancos Centrais, de títulos públicos em mercado. Em outras palavras, inundar a economia de dinheiro vivo na expectativa de que isso induza as pessoas ao consumo.

Essa fórmula foi largamente utilizada pelo Banco Central americano e pelo Banco Central Europeu para sair da longa recessão causada pela crise de 2008. Funcionou.

Mas funcionará agora?

Em resumo, um cenário de muita incerteza pela frente. Mas que, na visão de Roberto Campos Neto, o Brasil, com reservas cambias elevadas, tem condições de enfrentar bem o desafio. Especialmente se forem aprovadas as reformas econômicas, muitas delas dependentes da aprovação do Congresso.

O que Roberto Campos não disse, mas está implícito na análise que ele fez, é que o Brasil está diante de uma chance única de ter, por um longo período, uma taxa de juros e taxas de inflação tão baixas que jamais teve. Juros negativos mundo afora, inflação baixa por aqui, economia com alta capacidade ociosa, desemprego elevado. Tudo conspira a favor da queda da taxa de juros.

Fonte: G1 Economia