No mercado à vista, o dólar fechou ontem em alta de 1,44%, a R$ 4,1628, o maior nível desde o dia 3 deste mês, quando havia encerrado no valor de R$ 4,179 no balcão.
A decisão de Banco Central de reduzir a taxa Selic e sinalizar novos cortes pela frente, o que poderia levar os juros básicos da economia para abaixo de 5%, fez o real ser a moeda com pior desempenho ante a divisa americana nesta quinta-feira, considerando uma cesta de 34 moedas. O corte das taxas em ritmo mais intenso que em outros países deixa o Brasil menos atrativo para investidores internacionais, por isso o desempenho pior aqui na comparação com outros emergentes, com operadores relatando saída de capital externo. Para pressionar ainda mais o câmbio, a questão comercial entre EUA e China voltou ao destaque, com notícias de disposição da Casa Branca de adotar mais tarifas sobre produtos chineses.
O dólar começou o dia de ontem em alta e seguiu assim por todo o pregão. Profissionais do mercado de câmbio ressaltam que já se esperava que os cortes de juros fossem prosseguir pela frente, mas não a ponto de levar a Selic muito abaixo de 5%. Assim, foi preciso fazer um rearranjo das carteiras e das apostas dos investidores, pressionando as cotações. Uma das evidências é que, no mercado futuro, o volume de negócios chegou a US$ 20 bilhões, um dos mais altos dos últimos dias. No mercado à vista, foi a US$ 1,6 bilhão, também elevado.
“O Banco Central deixou claro que vai ter novas quedas e o mercado não tinha precificado esse movimento”, ressalta o gerente de Tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini. Ao longo da sessão de negócios de ontem, bancos nacionais e estrangeiros cortaram a previsão da taxa de juros e algumas instituições, como o francês BNP Paribas, veem a taxa básica caindo para 4,25%. Pellegrini não vê o dólar caindo para abaixo de R$ 4,00 no curto prazo e acredita que, passado esse primeiro dia após o anúncio do BC, o dólar deve ficar entre R$ 4,05 e R$ 4,10.
“É aquela premissa: juros para baixo, dólar para cima”, ressalta o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem.
Além dos juros domésticos, a imprensa chinesa destacou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está pronto para subir o tom da guerra comercial com a China, podendo aumentar as tarifas americanas sobre bens chineses para 50% ou 100%, caso não haja um acordo comercial em breve. Com isso, o dólar subiu entre os emergentes, com destaque para África do Sul (+0,85%), Turquia (+0,63%) e Colômbia (+0,39%). Já entre divisas fortes, o dólar caiu.
Volatilidade no Ibovespa
A expectativa de que a taxa Selic siga em trajetória cadente e encerre o ano abaixo de 5%, desencadeada pelo comunicado do Copom quarta à noite, embalou os negócios no mercado acionário nesta quinta-feira. Após certa euforia pela manhã, quando tocou os 106 mil pontos na máxima, o Ibovespa perdeu fôlego ao longo da tarde e com uma piora no final do pregão fechou em queda de 0,18%, aos 104.339,16 pontos.
As estrelas na bolsa foram os setores de consumo e construção civil, cujos resultados estão ligados à expansão do crédito e ao ritmo de atividade. O Índice Imobiliário subiu 2,4%, e o Índice de Consumo, 0,89%. Na contramão, o Índice Financeiro fechou em queda de 1,09%. /Estadão Conteúdo
Fonte: DCI