Mercado brasileiro registra perdas seguindo o desempenho negativo das bolsas internacionais.
SÃO PAULO – O Ibovespa opera em forte queda nesta sexta-feira (30), último pregão de outubro, em meio a preocupações com o avanço do coronavírus nos Estados Unidos e na Europa. A baixa das ações de empresas de tecnologia nos EUA também pressiona ativos de risco no mundo todo.
As ações da Apple despencam 5,5% depois da companhia reportar um declínio de quase 20% nas vendas de iPhone e os papéis da Amazon recuam 4,8% mesmo após os fortes números no terceiro trimestre.
Durante a semana, os EUA também não conseguiram encaminhar um novo pacote de estímulos antes das eleições, frustrando as expectativas de boa parte dos investidores.
No Brasil, o ministro da Economia Paulo Guedes voltou a criticar na quinta-feira a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), desta vez por supostamente financiarem um estudo que daria apoio a “ministro gastador”.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Guedes tem criticado nos bastidores o ministro Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, afirmando que Marinho atua para ampliar os gastos públicos e desrespeitar a regro do teto.
Às 13h29 (horário de Brasília), o Ibovespa caía 1,93%, aos 94.722 pontos.
Vale destacar que, na segunda-feira, o mercado brasileiro fechará no feriado de finados, sem poder reagir a eventuais desdobramentos da Covid-19, que volta a bater recorde nos EUA às vésperas da eleição presidencial da próxima semana.
Enquanto isso, o dólar comercial apresenta leve queda de 0,17% a R$ 5,754 na compra e a R$ 5,755 na venda. O dólar futuro com vencimento em novembro registrava leve baixa de 0,13%, a R$ 5,772.
A estabilidade maior do câmbio em relação à Bolsa neste momento reflete a briga entre comprados e vendidos em dia de formação da Ptax. No intraday a moeda dos EUA chegou a bater R$ 5,80.
No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai dois pontos-base a 3,46%, o DI para janeiro de 2023 sobe um ponto-base a 5,05%, o DI para janeiro de 2025 tem alta de três pontos-base a 6,81% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de seis pontos-base a 7,62%.
Hoje foram divulgados os dados do Produto Interno Bruto (PIB) de diversos países da zona do euro. A economia do bloco de moeda única cresceu 12,7% no terceiro trimestre de 2020 ante o segundo, de acordo com dados preliminares divulgados nesta sexta-feira pela agência oficial de estatísticas da União Europeia, a Eurostat.
O resultado superou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam avanço de 9,4% no período.
Na comparação anual, o PIB do bloco sofreu contração de 4,3% entre julho e setembro, bem menor do que a queda de 7% projetada pelo mercado. No segundo trimestre, o PIB da zona do euro teve retração de 11,8% ante os três meses anteriores, diante dos efeitos da pandemia do novo coronavírus.
Queda de vendas
O jornal o Estado de S. Paulo estampa como manchete de capa a queda de até 10% nas vendas das redes de atacarejos nas últimas semanas. Citando o diretor de mercado da Apas (Associação Paulista de Supermercado), o jornal afirma que as vendas dos supermercados também têm caído.
De acordo com a reportagem, o movimento se deve à disparada na inflação dos alimentos. Em outubro, a prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, atingiu 0,94%, mais do que o dobro da inflação registrada em setembro e a maior alta para o mês em 25 anos. O destaque é para a carne bovina, que teve alta de 4,83%, o óleo de soja, com alta de 22,34% e o arroz, com alta de 18,48%.
Ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em sua live semanal na quinta-feira, a ministra da Agricultura Tereza Cristina afirmou que novas safras devem reduzir o preço de arroz até janeiro.
Na quarta-feira, o Banco Central decidiu por manter no piso recorde de 2% a taxa de juros Selic, mesmo com a aceleração da inflação. O movimento está em linha com a expectativa de economistas.
Outro fator citado pelo jornal como responsável pela queda nas compras é a redução desde setembro de R$ 600 para R$ 300 o auxílio emergencial. Agora, o governo busca articular com o Congresso formas de criar um novo programa de transferência de renda, em substituição ao auxílio e ao Bolsa Família. O desafio é fazê-lo sem estourar o teto de gastos.
Além disso, o Estadão afirma que o governo vem estudando propor um benefício voltado especificamente a trabalhadores demitidos durante a pandemia da covid-19, mas que não tiveram acesso ao seguro-desemprego ou ao auxílio emergencial.
O benefício seria uma contraproposta à demanda de centrais sindicais pela prorrogação do seguro-desemprego em duas parcelas, o que custaria até R$ 16,7 bilhões. De acordo com o jornal, técnicos da área econômica estimam preliminarmente em 256 mil o número de trabalhadores que perderam o emprego entre 20 de março e 30 de setembro.
Guedes versus bancos
Durante audiência no Congresso na quinta-feira (29), o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) estaria financiando estudos para que “ministro gastador” pudesse enfraquecê-lo.
“A Febraban é uma casa de lobby muito honrada, o lobby é muito justo. Mas tem que estar escrito na testa, ‘obby bancário’, que é para todo mundo entender do que se trata. Inclusive financiando estudos que não tem nada a ver com a atividade de defesa das transações bancárias. É importante dizer isso. Financiando ministro gastador para ver se fura teto, para ver se derruba o outro lado”.
Fonte: Infomoney