Na quarta-feira, o principal índice de ações caiu 0,4%, a 97.881 pontos, pior pontuação desde 4 de novembro de 2020.
O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, a B3 opera em forte queda nesta quinta-feira (14), contaminado pelo declínio de praças financeiras e commodities no exterior, reflexo de persistentes preocupações com o ritmo da atividade econômica mundial.
Às 12h25, o Ibovespa caía 1,97%, a 95.953 pontos. Veja mais cotações.
No dia anterior, o indicador teve queda de 0,4%, a 97.881 pontos. Foi a pior pontuação desde 4 de novembro de 2020 (97.866 pontos), perdendo o patamar de 98 mil pontos. Com o resultado, a bolsa acumula perda de 2,40% na semana e de 0,67% no mês. No ano, a queda é de 6,62%.
O que está mexendo com os mercados?
Entre as commodities, o petróleo Brent para setembro recuava 1,91%, para US$ 97,67, e o minério de ferro perdeu 8,4%, para US$ 100,25 por tonelada, segundo índice Platts, da S&P Global Commodity Insights, no menor preço em mais de sete meses, refletindo os receios de queda mais acentuada na demanda de aço na China, na esteira das restrições da política de “covid zero” adotada por Pequim.
O número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentou em 9 mil na semana encerrada em 9 de julho. Trata-se da segunda semana consecutiva de alta, sugerindo arrefecimento no mercado de trabalho em meio a uma política monetária e condições financeiras mais rígidas.
Já o índice de preços ao produtor dos Estados Unidos registrou alta de 1,1% em junho depois de avançar 0,9% em maio. Nos 12 meses até junho, o índice teve alta de 11,3%, de 10,9% em maio.
Na quarta, os dados de inflação ao consumidor mostraram a maior taxa anual em 40 anos e meio. Todo esse cenário consolidou as expectativas de que o Federal Reserve (BC dos EUA) aumente os juros em 0,75 ponto percentual no final deste mês.
A perspectiva de juros mais altos nos EUA, além de dever atrair investimentos para lá, pode prejudicar o apetite por risco global, uma vez que reforça os riscos de uma recessão.
Já a Comissão Europeia cortou as previsões para o crescimento econômico da zona do euro neste ano e no próximo e elevou suas estimativas de inflação, devido ao impacto da guerra na Ucrânia.
Ainda hoje será divulgado o PIB da China no 2º trimestre. As ações dos setores bancário e imobiliário da China caíram nesta quinta, uma vez que uma onda de compradores de casas se recusa a pagar empréstimos hipotecários de projetos atrasados. O movimento ameaça a recuperação do setor imobiliário e pode desencadear a intervenção do governo.
No Brasil, os ativos vêm sendo pressionados pelo desarranjo das contas públicas. A Câmara aprovou a PEC dos Benefícios, que amplia os gastos do governo em cerca de R$ 41 bilhões fora do teto de gastos. Apelidado de “PEC Kamikaze” ou “PEC Eleitoral”, o pacote reacendeu temores de descontrole fiscal e de uma pressão ainda maior nos juros e inflação.
A PEC cria um estado de emergência e, entre as principais propostas, amplia o valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, dobra o benefício do vale gás e cria um voucher de R$ 1 mil para caminhoneiros autônomos. As medidas valem até 31 de dezembro deste ano.
O Ministério da Economia reduziu a estimativa de inflação para 2022 de 7,9% para 7,2% e elevou de 1,5% para 2% a projeção de alta do Produto interno Bruto (PIB). Já o Banco Central divulgou que a “prévia do PIB” aponta queda de 0,11% em maio – segundo mês seguido de recuo.
Fonte: G1 Economia