Na véspera, a moeda norte-americana recuou 0,18%, cotada a R$ 5,2359.
O dólar opera em queda nesta quinta-feira (23), após as decisões de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom).
Às 10h, a moeda norte-americana recuava 0,11%, cotada a R$ 5,2418. Veja mais cotações.
Na véspera, a moeda norte-americana fechou em queda de 0,18%, cotada a R$ 5,2359. Com o resultado, passou a acumular alta de 0,21% no mês e queda de 0,80% no ano.
O que está mexendo com os mercados?
Os resultados de juros, tanto nos EUA como no Brasil, vieram dentro das expectativas de mercado. O Fed divulgou nesta quarta-feira a decisão de elevar em 0,25 ponto percentual a taxa de juros dos EUA, para uma faixa de 4,75% a 5%. O aumento, dentro do esperado pelo mercado, não provocou movimentos mais acentuados na cotação do dólar.
Na divulgação, o Fed citou a turbulência que atingiu o sistema bancário norte-americano, com a quebra dos bancos médios Silicon Valley Bank e Signature Bank, além da crise enfrentada pelo First Republic Bank, que recebeu socorro bilionário de outros 11 bancos.
Havia dúvidas de que o Fed poderia interromper a alta de juros por conta das complicações causadas ao setor bancário. O Fomc, porém, reconhece que o crédito deve ficar mais restrito no país e disse estar vigilante à questão.
“O sistema bancário dos EUA é sólido e resiliente. Acontecimentos recentes devem resultar em condições de crédito mais restritivas para famílias e empresas e pesar na atividade econômica, nas contratações e na inflação. A extensão desses efeitos é incerta. O Comitê permanece altamente atento aos riscos de inflação”, disse o comunicado do banco central norte-americano.
Sobre a inflação, foco da decisão, o Fed destacou que os preços seguem elevados, com emprego em alta e em “ritmo robusto”. O Federal Reserve sinalizou ainda que pode seguir com o arrocho monetário nas próximas decisões sobre os juros.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, também sem surpresa. A decisão se deu em meio a turbulências no sistema bancário global e a críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de ministros do governo ao atual nível da taxa de juros.
Em nota emitida após reunião, o Comitê afirmou que, embora a reoneração dos combustíveis tenha reduzido a incerteza dos resultados fiscais de curto prazo, ainda permanecem alguns fatores de risco para o cenário inflacionário.
São eles: a maior persistência das pressões inflacionárias globais, a incerteza sobre o arcabouço fiscal e seus impactos sobre as expectativas para a trajetória da dívida pública e uma desancoragem maior, ou mais duradoura, das expectativas de inflação para prazos mais longos.
“Em momento em que economia está retraindo e que o crédito está com problema, o Copom chega a sinalizar até a possibilidade de uma subida da taxa de juros […] Lemos com muita atenção, mas achamos que realmente o comunicado preocupa bastante”, continuou o ministro.
Para economistas ouvidos pelo g1, o comunicado do Copom foi mais duro do que o esperado e trouxe alguns recados importantes a serem considerados pelo mercado para a trajetória da Selic. Entre eles:
Entenda aqui como cada ponto influenciou na decisão de manutenção da Selic por parte do Copom.
Fonte: G1 Economia