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Fenamar quer diminuir gargalos e melhorar eficiência portuária brasileira

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Rocha terá três anos para alcançar suas metas

Reduzir os gargalos burocráticos e logísticos, de modo a melhorar a eficiência portuária brasileira, e ainda conscientizar órgãos e a população sobre as funções exercidas pelos agentes marítimos são alguns dos desafios do presidente da Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima (Fenamar), Waldemar Rocha Júnior. Ele assumiu o posto em agosto passado e terá três anos para colocar suas metas em prática.

Nascido em Santos, o presidente da Fenamar começou a atuar no ramo da navegação aos 14 anos. Desde este tempo, ele não cogitou a hipótese de mudar de setor. “Eu tinha um cargo tão importante que todos os papéis da empresa passavam por apenas duas pessoas. O gerente e por mim, porque eu era o office boy”, comenta.

Atento ao cenário portuário nacional, Rocha Júnior acredita que os grandes problemas são comuns e acontecem nos complexos marítimos de vários estados. Segundo ele, dificuldades nos acessos rodoviários e ferroviários e entraves burocráticos são os fatores que travam a atividade portuária no País.

“Não é aceitável perder 15, 16 dias para liberar um contêiner. Esse processo todo atrasa e a carga fica em uma retroárea que precisa ser desocupada o mais rápido possível. A realidade e as dificuldades de acesso para os caminhões, que precisam passar pela cidade, além da burocracia, dificultam esse processo”, destacou.

Em relação ao Porto de Santos, o presidente da Fenamar vê com atenção a redução do limite do calado operacional no canal de navegação, devido às falhas na realização da dragagem.

Em janeiro passado, os usuários do complexo marítimo foram pegos de surpresa com a diminuição do valor máximo permitido para o calado (altura da parte da embarcação que permanece submersa e que varia de acordo com o volume carregado) para os navios que passam por essa área – e como se trata da entrada do canal, a medida afetou todos os cargueiros que escalam no cais. Antes, o calado máximo era de 13,2 metros ou, na maré alta, 14,2 metros. Após o assoreamento, somente aqueles navios com até 12,3 metros de calado – ou até 13,3 metros com a maré alta – podem trafegar pelo local.

“Cada 10 centímetros (a mais) de calado significam 70 contêineres (a mais). Redução é preocupação porque nós não temos ainda um planejamento de dragagem de manutenção constante, que é necessário. Manter é uma questão natural porque temos assoreamento com chuva, movimento da maré. É preciso haver manutenção constante”, afirmou o presidente da Fenamar.

As dificuldades de acesso ao complexo santista também preocupam os agentes marítimos. Rocha Júnior explica que “Santos, o maior porto da América Latina, tem suas características, mas acontece também de estar espremido. Os caminhões têm que passar pelas cidades, tanto para chegar nos terminais da Ponta da Praia como para chegar nos terminais da outra margem (Guarujá). Você pega um congestionamento na descida e outro para chegar na Margem Esquerda. E leva mais tempo para chegar do que um avião de Vitória (ES) para São Paulo”.

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Outro plano do presidente da Fenamar é conscientizar os jovens sobre a importância da atividade portuária, de modo que eles percebam as oportunidades de emprego existentes no complexo. “Hoje, muitos rapazes e moças não estão enxergando o potencial dessa área. Eu passava pelo Porto, na minha adolescência, sentia um cheiro de café e ficava pensando no mundo que existia por trás dos armazéns – e é um mundo mesmo”.

O executivo explica que, no mundo portuário, o agente exerce um papel fundamental, “Os armadores (donos ou fretadores dos cargueiros) precisam de um representante em terra que cuide do seu navio. O armador não tem um escritório em cada porto. Então você tem o agente marítimo, que cuida de tudo”, destacou.

Sobre a relação com as autoridades, Waldemar Rocha Júnior defende uma mudança de postura em relação às atividades do agente, de modo que ele não seja punido quando não tem responsabilidade sobre os fatos da navegação. “Por exemplo, o chefe de máquinas do navio, ao fazer uma manobra de tanques, comete um erro e vaza óleo no mar. O culpado é o agente? Não, é o navio. O agente deve receber a notificação e encaminhá-la ao armador. A Marinha já entende isso, mas há órgãos que multam o agente pelos danos causados e que são de responsabilidade do armador”.

Fonte: A Tribuna