Segundo o diretor-geral da agência, os efeitos sobre o setor poderiam ter sido amenizados se outras medidas fossem debatidas
Dados do relatório semestral divulgado pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), mostram que o transporte de grãos, como soja e milho, despencou 30% no primeiro semestre de 2014, se comparado a igual período de 2013, na navegação interior. Segundo o diretor-geral da Agência, Mário Povia, os efeitos da seca sobre o setor poderiam ter sido amenizados se outras medidas fossem debatidas.
No semestre, houve a cheia no Rio Madeira e a estiagem no Sudeste, que afetou a hidrovia Paraná-Tietê. Para ele como reflexos, as cargas acabam ou não sendo escoadas, ou não sendo adequadamente transportadas. “Para o segundo semestre esperamos resultados melhores no Madeira. Já na hidrovia Tietê-Paraná, ainda temos a questão da seca impactando negativamente, paralisando as operações e vamos ter um impacto ainda mais negativo no segundo semestre. Não acredito que antes de novembro tenhamos a retomada da hidrovia”.
Para ele é preciso ver a situação das hidrovias de forma mais equacionada reduzindo sua atividade, porém sem pará-la por completo.“A gente queria um modus operandi diferenciado, com uma discussão maior antes de tomar uma medida de forma unilateral. Essa é nossa crítica. A nossa estimativa é que a hidrovia movimentasse, neste ano, sete milhões de toneladas. Esse é o tamanho do prejuízo que vamos ter com soja, combustíveis, petróleo e derivados, celulose. Esse é o tamanho do gargalo que vai gerar tanto na ferrovia quanto na rodovia, gerando filas, aumento de fretes e perda de eficiência”, completou.
Apesar disso, os resultados globais do período para o setor são positivos. O setor portuário movimentou 460 milhões de toneladas, com crescimento de 5% em relação aos primeiros seis meses de 2013. Um dos destaques, na avaliação da Antaq, foi para a cabotagem, que transportou 70 milhões de toneladas. Em quatro anos, o crescimento chega a 17,2%. O incremento mais expressivo entre 2013 e 2014 foi na carga conteinerizada, de 6,8%.Para o executivo, o novo marco regulatório, nesse sentido, já impacta nos resultados. “O crescimento de contêiner na cabotagem, por exemplo, já é reflexo de alguma oferta de terminais que entraram em operação em Santos. Esses terminais já vinham com investimentos em andamento, mas esse incremento na oferta de infraestrutura é sistêmico”. Ele cita como reflexos imediatos do novo marco, o porto 24 horas, a redução da burocracia, a questão da gestão portuária, melhorias na gestão em algumas companhias docas etc.
Fonte: Guia Marítimo