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Autoridades debatem procedimentos para casos suspeitos de ebola

A remoção de marítimos com suspeita de ebola, de navios no Porto de Santos, poderá ser feita de helicóptero. A medida foi proposta na última quinta-feira (18), durante reunião, na Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), para debater os riscos da chegada de tripulantes infectados pelo vírus no cais santista. Já os práticos, que sobem a bordo para orientar a navegação das embarcações, poderão receber equipamentos de proteção individual para evitar contaminações.

O encontro teve a presença de representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, a Autoridade Portuária de Santos), do Corpo de Bombeiros, da Praticagem de São Paulo e das secretarias Estadual e Municipal de Saúde. A ideia da reunião, segundo o capitão-de-mar-e-guerra Ricardo Fernandes Gomes, comandante da CPSP, foi aperfeiçoar e detalhar os procedimentos a serem adotados, se navios com casos suspeitos chegarem ao Porto de Santos. Os métodos de remoção de tripulantes foram os pontos mais debatidos.

Conforme a Anvisa, são considerados suspeitos casos de embarcações que estiveram, há menos de 21 dias, em locais com registro da doença e, ainda, que tenham relato de algum tripulante com febre. A epidemia da ebola atingiu cinco países. Guiné, Serra Leoa, Libéria, Nigéria e Congo já registraram 2.622 casos e 5.335 mortes.

“Mesmo com a baixa probabilidade, algum tripulante pode manifestar algum sintoma a bordo, com a necessidade de acionamento do protocolo. Por isso, é preciso que todos os detalhes fiquem bem claros”, destacou o comandante da CPSP.

Segundo o oficial, na reunião, ficou definido que, nos próximos dias, será avaliada a possibilidade de utilizar helicópteros na remoção de tripulantes infectados. A ideia é realizar o procedimento antes da atracação do navio, com ele fundeado na barra. As aeronaves são do Grupo de Resgate de Atendimento às Urgências (Grau), subordinado à Secretaria Estadual de Saúde.

O teste será necessário para verificar se as macas reservadas para esses casos podem ser transportadas entre o navio e o helicóptero. Esses equipamentos possuem revestimentos que evitam o contato com secreções expelidas pelo contaminado. O ar também passa por um filtro.

Se não for possível utilizar aeronaves, o uso de lanchas será avaliado. Tudo depende das características do navio, como a altura do acesso à embarcação.

Práticos

Se a utilização de lanchas ou helicópteros for considerada inviável, a alternativa será atracar o navio para a remoção do paciente suspeito. Neste caso, o prático deverá ir a bordo para realizar a manobra.

Por isso, também serão feitos testes para verificar se os profissionais conseguirão executar suas atividades com o uso de equipamentos individuais de proteção. Macacão, óculos de proteção, luvas e botas impermeáveis são utilizados para evitar contaminações.

Já a definição do local onde esta embarcação deverá atracar ficará a cargo da Autoridade Portuária.

“Não devemos nos preocupar apenas com os navios que têm como destino o Porto de Santos. Se houver alguma suspeita, o comandante de uma embarcação pode pedir a arribada, que é a entrada não prevista em algum porto para o desembarque do tripulante. Por isso, também solicitamos um exercício simulado”, destacou o capitão dos portos.

A Secretaria Estadual da Saúde informou, através de sua assessoria, que, por enquanto, avalia as possibilidades de remoção de pacientes suspeitos. Uma nova maca especial já foi comprada e será usada pelos bombeiros em Santos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi procurada por A Tribuna, mas não se posicionou sobre a reunião que tratou de uma eventual remoção de tripulantes com suspeita de contaminação por ebola, no Porto de Santos.

A autoridade sanitária também não respondeu aos questionamentos sobre a falta de fiscais no posto portuário, que foi tema de matéria publicada na edição da última quinta-feira (18). Inicialmente, a previsão era de que a assessoria de imprensa do órgão emitisse um posicionamento sobre o assunto na última quinta-feira (18).

Fonte: A Tribuna