Um tripulante africano de 26 anos que embarcou em Serra Leoa, no Oeste da África, para uma viagem até o Porto de Santos, será o principal personagem do exercício que vai simular a chegada do vírus ebola ao cais santista. A atividade acontecerá na próxima quarta-feira, entre as 8 e as 14 horas, no trecho de cais entre os armazéns 32 e 33.
O exercício é aguardado há pelo menos dois meses. As primeiras informações sobre a realização de um simulado no complexo surgiram em outubro. Na época, as autoridades já se reuniam para definir as estratégias do plano a ser acionado, em caso de chegada de algum tripulante infectado pelo ebola no Porto de Santos.
Cerca de 7 mil pessoas já morreram vítimas da doença na África Ocidental, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde. O número de infectados é de 16.169. Deles, 6.928 morreram nos três países mais afetados: Serra Leoa, Guiné e Libéria.
Segundo a Prefeitura de Santos, pela proposta do exercício, o navio terá passado por Serra Leoa, onde teria embarcado o tripulante infectado. De acordo com a OMS, só nesse país foram registradas 1.461 mortes, de 6.802 casos de ebola.
O destino final do navio será Santos. Ao chegar na região, o comandante da embarcação vai relatar às autoridades a ocorrência de um caso suspeito de ebola abordo.
O simulado será dividido em cinco etapas. A primeira delas será a chegada do navio com o caso suspeito. Já a parte final será a remoção do paciente do navio atracado para uma unidade preparada para tratar do caso na capital, que é o Hospital Emílio Ribas.
De acordo com a assessora de gabinete da Secretaria de Saúde, Maria Cecília Damasceno, a embarcação com o tripulante com suspeita de infecção atracará no Porto, para que o marítimo seja atendido. Caberá às equipes do Corpo de Bombeiro e do Grupo de Resgate e Atenção às Urgências e Emergências (Grau) do Estado desembarcá-lo na maca de isolamento e levá-lo para a Capital.
Todos os agentes envolvidos vão utilizar o equipamento de proteção. Após a remoção do tripulante infectado, haverá a limpeza e a descontaminação do navio, explicou Maria Cecília.
Os detalhes estão sendo definidos pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). A realização do exercício foi acertada em uma reunião entre representantes das secretarias de Saúde de Santos e do Estado, do Corpo de Bombeiros, do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo), da Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) e do Grau.
Desencontros
Todo planejamento bem sucedido tem como base uma boa comunicação entre os envolvidos. Este, porém, não é caso quando as ações de combate ao ebola no Porto são o assunto.
As informações sobre o simulado de quarta-feira foram divulgadas pela Prefeitura de Santos e a Secretaria Estadual de Saúde. No entanto, o Ministério da Saúde não confirma o planejamento. Segundo a pasta, as informações são sigilosas e só serão divulgadas na semana que vem, dias antes do exercício.
Enquanto isso, os demais órgãos não se posicionam sobre o assunto, inclusive a Autoridade Portuária, que atua na definição do plano. Até mesmo um treinamento para a remoção de tripulantes infectados pelo vírus, que seria realizado pelo Grau no dia 16 de outubro no Porto, foi cancelado assim que a pasta da saúde tomou conhecimento.
A justificativa foi de que o treinamento, que serviria para apenas para o reconhecimento da área, atrapalharia o simulado que, após quase dois meses, ainda não aconteceu.
O Grau acabou realizando o treinamento no cais santista à revelia do Ministério da Saúde, no último dia 24. A medida causou um mal estar em uma das reuniões sobre o plano do ebola, na sede da Codesp.
Fonte: A Tribuna