Dificuldades de acesso, falta de água e meios de grande propagação do fogo – no caso, armazéns com açúcar. Estas são as três principais dificuldades enfrentadas pelo Corpo de Bombeiros para combater incêndios no Porto de Santos. Uma das saídas para amenizar o problema, segundo o major Daniel Tenório dos Santos, é utilizar a água do mar para conter as chamas no cais santista.
A análise do oficial foi apresentada na quarta-feira (17), no primeiro dia do seminário Prevenção e combate a incêndios em terminais de movimentação de açúcar a granel no Porto de Santos, realizado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) devido aos três incêndios ocorridos no cais santista no último um ano e meio.
O evento, que acontece na sede da Docas e termina nesta quinta-feira (18), tem como objetivo discutir as prováveis causas dos incêndios e quais medidas preventivas devem ser tomadas.
O sinistro que atingiu, em outubro passado, um dos armazéns do Terminal Exportador de Açúcar do Guarujá (Teag, joint venture entre a multinacional Cargill e a Biosev), na Margem Esquerda (Guarujá) do Porto, foi um dos casos estudados nesse primeiro dia do seminário. Segundo a empresa, quase 50 mil toneladas do produto foram destruídas.
De acordo com o gerente operacional do Teag, Fábio Francisco, a empresa não conseguiu identificar a causa do incêndio. No entanto, são três as possibilidades: aquecimento da instalação, iluminação inadequada do armazém ou algum problema nos roletes que movem as correias transportadoras.
O sinistro, considerado de grandes proporções, só não foi pior porque as equipes conseguiram aperfeiçoar suas estratégias de combate às chamas. Isso aconteceu após os dois grandes incidentes ocorridos nos últimos meses no cais santista – na Rumo Logística, em agosto passado, e na Copersucar, em outubro do último ano.
Para o major do Corpo de Bombeiros, a lição tirada desses dois grandes incêndios foi a necessidade de garantir água para a contenção das chamas. “Para (o combate às chamas) ser eficiente, tem que ter um fornecimento de água contínuo, ininterrupto. Qualquer descontinuidade nesse processo acaba gerando um prejuízo no resultado final”.
Segundo o gerente do Teag, Fábio Francisco, o terminal estuda uma forma de captar mais água do estuário para este fim. “Utilizamos 40% acima do exigido (de água) e isso só durou duas horas e meia ou três horas. Se não fossem os rebocadores, teríamos problemas”, explicou.
Experiências
Para o diretor de Infraestrutura e Serviços da Codesp, Paulino Moreira da Silva Vicente, a troca de experiências é o objetivo principal do seminário. “Todos nós acabamos aprendendo com os incêndios. No terceiro, já tínhamos implementado alguns aperfeiçoamentos”, afirmou.
Agora, segundo o executivo, está em andamento um projeto que prevê a melhoria dos procedimentos preventivos e de correção do Porto e, também, dos próprios planos de segurança dos terminais portuários.
Programação
Na manhã de quinta-feira (18), no seminário, serão analisados os incêndios ocorridos na Rumo Logística e na Copersucar. Às 15 horas, o grupo de trabalho que discute a prevenção e o combate a incêndios em açúcar, do Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio (CB-24 ABNT), vai apresentar seus apontamentos para o aprimoramento da proposta de consulta técnica do Corpo de Bombeiros, para a proteção contra incêndio em silos horizontais usados para armazenar açúcar a granel.
O último item da programação é a apresentação da Codesp sobre os sinistros de incêndio e quais as medidas adotadas para a prevenção e o combate a incêndio nos terminais graneleiros do Porto.
O evento acontece no Centro de Treinamento da Codesp, na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, s/nº, Macuco, em Santos.
Fonte: A Tribuna