O deputado federal Edinho Araújo (PMDB-SP) comandará a Secretaria de Portos (SEP) da Presidência da República no novo mandato da presidente Dilma Rousseff, que começará no próximo dia 1°. A indicação do parlamentar, que não tem ligações diretas com o setor, marca a nova fase da pasta, que deixa a zona de influência dos irmãos Cid e Ciro Gomes(Proas-CE) e retorna à do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP).
O nome de Araújo como futuro titular da SEP foi anunciado pelo Palácio do Planalto na noite de ontem, em Brasília, junto com o de outros futuros ministros. O PMDB ainda ficou com as pastas das Minas e Energia, Aviação Civil, Transportes, Pesca, Agricultura e Turismo, controlando o bloco de infraestrutura do Governo.
O deputado substituirá o ex-governador da Bahia César Borges (PR), que está à frente da SEP desde julho e deixará o cargo no próximo dia 31.
Em nota divulgada na noite de ontem, Araújo informou que se reunirá com Borges, “para recolher informações atualizadas sobre a pasta”, no dia 30.
No comunicado, destacou que está “pronto e motivado para novos desafios. Pretendo realizar um trabalho eficiente, como sempre busquei fazer nesses 42 anos de vida pública”. E informou que “meu propósito é honrar a confiança em mim depositada e trabalhar pelo Brasil neste setor que é estratégico e fundamental para a economia brasileira”. O deputado confirmou que sua posse será no próximo dia 1°.
Carreira
Aos 65 anos, natural de Santa Fé do Sul (município no nordeste paulista, próximo a Laje), o advogado e professor Edson (Edinho) Coelho Araújo foi prefeito de São José do Rio Preto (SP) por duas vezes, de 2001 a 2008. Após ter sido eleito pelo PMDB em 1994, em 2000 e 2010, ele está prestes a iniciar seu quarto mandato na Câmara dos Deputados.
Nos últimos quatro anos, o parlamentar tem atuado na defesa de obras rodoviárias para o Estado e outros modais, como o ferroviário e o hidroviário.
Segundo fontes ligadas ao Planalto, a escolha do deputado como titular da SEP se deve a dois fatores: a bancada do partido na Câmara Federal queria que uma das vagas da legenda no ministério fosse para alguém com mandato e, principalmente, ele é amigo próximo do vice-presidente Michel Temer. Araújo é membro do diretório nacional e 1º vice-presidente do diretório estadual do PMDB.
Nova fase
A escolha de Edinho Araújo, com as bênçãos de Temer, marca um novo capítulo na história do setor portuário. A última vez quando o hoje vice-presidente teve influência sobre o setor foi no segundo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1999-2002), época marcada pela modernização dos terminais portuários, com seu arrendamento para a iniciativa privada, e por denúncias de corrupção.
No primeiro governo Lula (2003-2006), os portos, administrados pelo Ministério dos Transportes, foram controlados pelo PR, que estava à frente da pasta. No segundo mandato (2007-2010), com a criação da Secretaria de Portos (em 2007), a gestão ficou com o PSB dos irmãos Cid e Ciro Gomes.
Essa situação perdurou até o ano passado, quando os dois políticos deixaram a legenda para fundar o Pros. A SEP, então, ficou sob a influência direta da Presidência e da Casa Civil. O próprio ministro César Borges foi uma escolha pessoal da presidente Dilma, não uma indicação de seu partido, o PR.
Na prática, durante o Governo Dilma, a Secretaria de Portos perdeu espaço no Governo. A pasta, por exemplo, teve uma participação irrisória na elaboração do novo marco regulatório (a Lei n° 12.815), processo que foi capitaneado pela Casa Civil.
Para analistas consultados por A Tribuna, a escolha de Araújo, político ligado ao vice-presidente, mostra um fortalecimento da pasta federal. A SEP estava para ser extinta e suas funções, repassadas ao Ministério dos Transportes.
O fato de a Secretaria ter sido mantida mostra que terá uma maior importância no segundo Governo Dilma, argumenta um consultor portuário, que pediu para não ser identificado. “O PMDB não aceitaria um ministério que continuasse sob a influência da Casa Civil ou tivesse seus poderes limitados”, destacou.
Um outro especialista portuário lembra que, se o futuro ministro não é próximo do setor, Michel Temer tem conhecimento do setor portuário. Em agosto, o vice-presidente foi um dos palestrantes do seminário Santos Export 2014 – Fórum Internacional para a Expansão do Porto de Santos, defendendo soluções definitivas para a dragagem do complexo marítimo e para seus acessos.
Fonte: A Tribuna