A globalização propagou a ideia de que é possível expandir fronteiras, principalmente nos negócios. Ampliar mercados, na verdade, não é algo novo. Desde o período das grandes navegações, empreendedores lançam-se ao mundo buscando oportunidades para além de suas áreas tradicionais.
Esse processo, que sempre existiu, ganhou força com o desenvolvimento de novas tecnologias. Mas, apesar de elas propagarem novos alcances, ainda não conseguiram desamarrar alguns processos, vistos por muitos empresários como uma barreira. Com apoio e conhecimento, é possível vencer as dificuldades iniciais e ir mais longe. Acredite, há um mundo inteiro, ainda, para explorar. Basta dar o primeiro passo.
Visibilidade do Brasil é positiva
Para o empresário e diretor comercial da Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign), Roger Rieger, o momento é propício para a exportação de serviços. “O potencial de exportação da criatividade do brasileiro é maior do que a população imagina”, comenta. “Notícias positivas sobre o país têm um efeito claro nesse sentido”, revela.
O momento também é benéfico para o ramo de serviços porque a tecnologia está desenvolvida o suficiente para permitir alcance ao mercado internacional. “Reuniões podem ser feitas por conferências telefônicas e a internet permite divulgação das empresas”, destaca.
Apesar das possibilidades ampliadas, o empresário que pretende partir para a exportação precisa estar preparado para estabelecer novos negócios. “O entendimento das realidades locais de cada mercado é o principal entrave. É importante que as empresas que pretendam exportar busquem informações e capacitação.”
Citando os principais erros cometidos na busca pelo mercado externo, Rieger elenca o despreparo e a busca solitária como situações que podem dificultar o processo. A formação de grupos para promoção de intercâmbio internacional é uma medida adotada por entidades de todos os setores, geralmente com apoio de instituições públicas.
Em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), a Abedesign tem programado rodadas de negócios entre empresas brasileiras e estrangeiras, com foco na área de design. O apoio da Apex-Brasil, no entanto, vai além desse segmento. A Apex-Brasil apoia, atualmente, mais de 12 mil empresas de 80 setores produtivos da economia brasileira, que exportam para mais de 200 mercados. Buscar esse apoio e desbravar novos negócios em grupo oferece mais chance de sucesso, orienta Rieger.
Em busca de crescimento
A empresa gaúcha Planobase Lubianca é a única empresa do Rio Grande do Sul que participou do projeto Interagência, promovido pela Abedesign em parceria com a Apex-Brasil, e comemora os resultados alcançados com contatos estabelecidos a partir da iniciativa.
Prestes a fechar os primeiros negócios internacionais com a Colômbia, Alexandre Mussnich, um dos sócios da empresa, especializada em arquitetura comercial, projeta aumentar em 5% o faturamento previsto para este ano por conta das negociações.
“Além da participação nesse evento, estabelecemos reuniões com clientes locais. A exportação de serviços não é só dar o preço e mandar entregar depois, como ocorre no comércio. Nós temos que formatar uma proposta de acordo com o cliente”, comenta, reforçando a importância de manter contato próximo com parceiros e clientes estrangeiros.
Exportar já estava nos planos da empresa desde 2012. O primeiro passo foi investigar os mercados que a Planobase Lubianca queria atingir. Não foi uma tarefa simples, mas, no decorrer desse processo, surgiu a oportunidade de participar da iniciativa da Abedesign, que projetou dois países: Colômbia e Peru. “Estudando o mercado e visitando agências e empresas locais, notamos que há muitas oportunidades de atuação para empresas qualificadas, e através de parcerias o caminho é encurtado”, destaca Mussnich.
Ao iniciar as exportações, a tendência é de que as empresas encontrem, cada vez mais, portas abertas, reforça o diretor comercial da Abedesign, Roger Rieger. O primeiro passo é sempre mais difícil, mas depois de vencido, as chances de crescimento aumentam e a visibilidade também.
Obrigações acessórias dominadas
O empresário que pretende investir em exportação de serviços precisa estar atento, também, às obrigações acessórias decorrentes dessas operações. O registro de serviços comercializados no Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variação no Patrimônio (Siscoserv) é uma dessas obrigações.
A professora da Faculdade Brasileira de Tributação (FBT-INEJE) e especialista em Siscoserv, Roberta Folgueral, esclarece que, embora seja uma obrigação, muitas empresas têm deixado de relacionar no sistema as operações realizadas, seja na importação de serviços ou na exportação, correndo o risco de serem multadas.
O ambiente foi desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) com o objetivo de reunir dados sobre a exportação e a importação de serviços. Essas informações são disponibilizadas para as empresas que cumprem com a exigência, transformando os dados em estratégia de negócios.
“As empresas que querem exportar precisam pensar não só na estratégia, mas também nas relações contratuais para registrar todos os procedimentos no Siscoserv”, orienta Roberta. A especialista revela que ao buscar informações sobre adequação à exigência o empresário pode perceber que há benefícios previstos. “O enquadramento do Siscoserv permite benefícios fiscais, por isso eu sempre indico que os empresários busquem informações.”
Roberta admite que não é simples, mas vale a pena. “É uma obrigação acessória e tem o risco de multa elevada para empresas que não se adequarem. Inicialmente, é difícil cumprir, mas, depois, percebe-se que não é tão complicado.” O registro de informações do Siscoserv é feito pela internet na página do sistema, mas é preciso possuir certificado digital para inserir os dados.
Roberta Folgueral – Consultora e Palestrante Siscoserv no Canal Aduaneiro
Fonte – Revista Bens & Serviços (Fecomércio RS)