Em cerca de cinco anos, a operadora portuária APM Terminals pretende investir entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões (R$ 5,118 bilhões a R$ 10,236 bilhões, pelo câmbio de ontem) no Brasil. Os recursos serão destinados ao setor portuário, principalmente nas cidades de Manaus (AM) e Suape (PE), em novas concessões portuárias e na implantação de Terminais de Uso Privativo (TUP).
Segundo o diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da empresa no Brasil, Bart Wiersum, apesar da atual situação econômica do País, são grandes as expectativas de investimento para os próximos anos. “Os projetos em infraestrutura requerem um investimento grande e, portanto, de uma visão de longo prazo. E acreditamos que as oportunidades serão significativas no Brasil”, afirmou.
No entanto, para que esses projetos saiam do papel, é preciso que o Governo demonstre agilidade e garanta segurança aos investidores. Uma infraestrutura adequada para a implantação dos novos empreendimentos também é outro fator determinante para a atração de novos negócios.
“Para destravar esses gargalos (nos portos), é necessário que os editais (de concessão de áreas e terminais) sejam lançados com certa rapidez, obviamente com toda segurança e clareza jurídica. Estamos interessados nos editais dos terminais de contêineres nos portos de Suape e Manaus e em terminais privados (TUPs), que não dependem de licitação por serem erguidos em terreno próprio. A APM Terminals está focada em terminais de contêineres, mas podemos operar outras cargas, como granéis líquidos e sólidos não conteinerizadas, como fazemos por exemplo, no nosso terminal em Callao, Peru”, destacou o executivo.
A APM é a empresa que cuida dos terminais do grupo dinamarquês A.P. Møller – Maersk em todo o mundo. O conglomerado é o controlador da armadora Maersk, líder mundial no transporte marítimo de contêineres.
No Porto de Santos, a APM detém 50% das ações da Brasil Terminal Portuário (BTP), uma das novas instalações de contêineres do complexo, inaugurada há quase um ano e meio. Os demais 50% da BTP, construída na região da Alemoa, pertencem aos controladores da armadora MSC.
Infraestrutura
Segundo Wiersum, os investimentos no Brasil dependem principalmente da velocidade com que o Governo vai resolver os gargalos logísticos. Neste contexto, surgem a necessidade da dragagem de aprofundamento dos portos e ainda da construção de ferrovias, melhorando o acesso terrestre aos complexos marítimos.
“Acreditamos que navios cada vez maiores vão chegar ao Brasil. A tendência para daqui a alguns anos é receber navios de 366 metros ou mais. Mas o crescimento do comércio nacional e a oportunidade do País se tornar mais competitivo dependem da velocidade do desenvolvimento da infraestrutura nacional. Necessitamos melhorar o acesso marítimo (dragagem) e terrestre (ferrovias) dos portos e a aumentar ou melhorar a infraestrutura portuária. A aceleração do processo das licitações dos terminais é uma peça fundamental nisto”, destacou o diretor da APM Terminals no Brasil.
Fonte: A Tribuna