Autoridades dos governos de Brasil e China estão finalizando um protocolo que estabelece padrões para que processadoras domésticas exportem farelo de soja ao país asiático, disse na segunda-feira (16) o presidente da associação que representa os exportadores do setor (Abiove), André Nassar.
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As diretrizes permitirão que as empresas exportem e eventualmente possam competir com os processadores de soja da China, algo que não ocorre atualmente.
A mudança surge à medida que processadoras locais veem a necessidade de aumentar o esmagamento para produzir mais biodiesel, aumentando a mistura local do biocombustível. Dessa forma, a produção adicional de farelo de soja, um subproduto, precisaria de novos compradores.
O Brasil exporta muito mais soja em grãos do que em farelo, e o setor preferiria um melhor equilíbrio, disse Nassar.
O país deve processar 43 milhões de toneladas de soja em 2019.
Até 2023, o esmagamento deve avançar em estimadas 9 milhões de toneladas, conforme o governo eleva para 15% a quantidade obrigatória de biodiesel a ser misturada ao diesel (ante 11% atualmente), projetou a Abiove.
Nassar disse que as autoridades brasileiras estão em negociações avançadas para concluir o protocolo fitossanitário para a exportação do produto, embora não haja uma data estabelecida para seu anúncio e implementação.
Um protocolo similar está em vigor para a venda de farelo de algodão do Brasil para a China, acrescentou.
A Abiove não espera que a China deixe de comprar soja em grãos e passe a comprar farelo de soja do Brasil quando o protocolo entrar em vigência, disse Nassar.
“2020 vai ser o ano de abertura de novos mercados… Ainda tem trabalho intenso para abrir mercados para produtos de maior valor agregado”, afirmou.
Hoje, a União Europeia compra cerca de metade do farelo de soja do Brasil, ou 8 milhões de toneladas. Já as exportações de soja em grãos do país devem totalizar 72 milhões de toneladas neste ano, com cerca de 80% indo para a China, disse a Abiove.
Fonte: G1 Economia