Companhia Docas do Estado de São Paulo mantém acordo coletivo e dissídio coletivo é instaurado.
Acordo foi assinado na noite desta quarta-feira.
Trabalhadores da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, a Autoridade Portuária de Santos) desistiram da greve que começaria à zero hora desta quinta-feira (25). Em assembleia, na sede do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), na noite desta quarta-feira (24), a categoria aceitou a proposta encaminhada pela Codesp em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na Capital.
“A proposta foi melhor do que pensávamos. A Companhia manteve o acordo com exceção do 13º tíquete-refeição, que o TCU (Tribunalde Contas da União) disse que é irregular. Não vamos entrar nessa briga”, disse o presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos.
Na reunião do TRT, presidida pelo desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto, sindicato e Docas concordaram com a instalação do dissídio coletivo. E a administração portuária ressaltou que, se a proposta de greve fosse suspensa, a empresa respeitaria a data-base e asseguraria a manutenção das cláusulas da norma coletiva até 31 de maio do ano que vem ou até a data do julgamento, dependendo do que acontecer primeiro. Como destacado por Cirino, isto não vale para a cláusula relativa ao vale-refeição para o 13º salário.
Trabalhadores desistiram da greve que começaria à zero hora desta quinta-feira (25) (Foto: Divulgação)
Foram mais de três meses de negociações entre a Autoridade Portuária e seus funcionários. Segundo a categoria, foram pequenos os avanços na proposta da empresa. Por este motivo, haviam decidido pela paralisação por tempo indeterminado a partir desta quinta.
Além de Cirino e outros diretores do Sindaport, participaram da audiência de conciliação representantes do Sintraport e do Sindicato dos Engenheiros. A Codesp foi representada pelo diretor de Administração e Finanças, Fernando Biral.
REAÇÕES
O cancelamento da greve tranquilizou usuários do Porto de Santos. Para o diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque, a notícia foi recebida “com alívio”. “Acreditamos que poderia haver algum atraso nas atracações e desatracações, já previsível em movimentos dessa natureza”, destacou o executivo.
Por segurança, o Sindamar havia orientado as agências de navegação a antecipar o envio de documentação e solicitação de atracação no cais. Com o sistema Porto Sem Papel, as empresas poderiam tentar agilizar seus processos.
Já Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de SãoPaulo (Sopesp) monitorava as ações referentes à greve dos funcionários da Docas. A entidade temia pela falta de amarradores para atracar ou desatracar embarcações no cais santista.
A entidade pediu que fosse obtido o “interdito proibitório para todo o Porto, visando a garantia da realização das operações portuárias”. Em março, com uma ação jurídica inédita, a Codesp impediu impactos de uma greve nas operações do cais santista.
Fonte: A Tribuna