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Codesp negocia contratação da dragagem de berços do cais

Docas busca reduzir preços. Menor oferta apresentada na licitação ficou acima do valor limite estipulado

A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), estatal que administra o Porto de Santos, iniciou negociações para a contratação da empresa que será responsável pela dragagem dos berços do cais santista por seis meses. A Autoridade Portuária tem pressa para reiniciar o serviço, que está interrompido desde 10 de dezembro do ano passado.

A dragagem de berços tem como objetivo garantir a profundidade dos pontos de atracação, medida estratégica para a competitividade do complexo santista. Quanto mais fundos, maior o volume de cargas que o navio pode carregar.

Esta é a segunda tentativa de contratação da obra desde que a Dratec Engenharia anunciou que não pretendia continuar os trabalhos, em outubro passado. Tanto no primeiro como no último pregão eletrônico, realizado na quinta-feira passada, os preços apresentados pelas concorrentes ficaram acima do limite estabelecido para o pagamento do serviço, que é de R$ 17 milhões.

A menor proposta apresentada dessa vez, da EEL Engenharia, foi de R$ 22,7 milhões. Em seguida, a empresa aceitou diminuir o preço para R$21,5 milhões. No sábado (23), ela apresentou sua tabela de composição de preços e detalhamento da proposta. O material será analisado pela área técnica da Docas.

Caso seja considerada viável, a proposta será encaminhada à diretoria-executiva da estatal. Isto porque será necessário alterar a dotação orçamentária para a contratação da obra. Caso contrário, uma nova licitação deverá ser aberta em breve.

Em segundo lugar na licitação, está a Dratec Engenharia, a mesma empresa que suspendeu o serviço. Inicialmente, a firma cobrou R$ 24 milhões pela obra, mas reduziu seu preço para R$ 21,6 milhões.

A DTA Engenharia segue em terceiro lugar na disputa, já que pediu R$ 22,9 milhões pela dragagem de berços e não negociou seu preço. Em seguida, aparece a Metropolitana de Engenharia & Comercio Eireli, com uma proposta de R$ 23,9 milhões.

Great Lakes Dredge & Dock do Brasil e Van Oord Operações Marítimas também participaram do pregão eletrônico. Suas propostas foram R$ 35,8 milhões e R$ 70,8 milhões, respectivamente e não houve negociação, por enquanto.

Licitação da SEP

A EEL Engenharia também é a primeira colocada na licitação aberta pela Secretaria de Portos (SEP) há seis meses. Neste caso, a concorrência é pelo serviço de dragagem de aprofundamento do Porto, tanto para o canal de navegação e as bacias de acesso aos berços de atracação, que hoje têm 15 metros em média e terão de ficar com 15,4 a 15,7 metros, como para os locais de atracação, que deverão ter uma fundura variando de 7,6 a 15,7 metros.

A licitação promovida pela Codesp prevê uma cláusula rescisória que será aplicada caso a SEP conclua sua contratação. Mesmo assim, ela não será usada de imediato, pois após a assinatura do contrato da pasta que comanda os portos brasileiros, as obras ainda devem demorar cerca de seis meses para começar. O tempo é necessário para a elaboração dos projetos básico e executivo.

Entre os usuários do Porto, o temor fica por conta da possibilidade de assoreamento dos berços, que podem diminuir sua profundidade. Nesta época do ano, em que as chuvas são constantes, a deposição de sedimentos é maior, sobretudo em terminais localizados mais ao fundo do estuário, como no trecho do Paquetá até a Alemoa. O motivo é o deslocamento de resíduos vindos do Canal de Piaçaguera e do Rio Casqueiro, em Cubatão.

Quanto maior a profundidade, maior o peso das cargas que o navio pode receber (na prática, maior a quantidade de mercadorias a serem carregadas), diluindo o custo de sua viagem. Dessa forma, um complexo marítimo que aprofunda seus acessos aquaviários, acaba sendo mais competitivo.

A cada centímetro de profundidade perdida, deixa-se de carregar de sete a oito contêineres. Em embarcações graneleiras, a cada um centímetro reduzido, não são embarcadas 100 toneladas. A estimativa leva em conta navios dos tipos Cape Size ou Panamax.

Fonte: A Tribuna