Os protestos de caminhoneiros, que bloquearam pelo menos 69 trechos de 24 rodovias brasileiras nos últimos dias, poderão prejudicar o escoamento da safra agrícola pelo Porto de Santos, informa a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária. Isto porque Mato Grosso, de onde sai a maior parte da produção de soja e milho embarcada no cais santista, é um dos estados mais afetados e registrou paralisações em dez trechos de três rodovias.
Na Baixada Santista, a Rodovia Anchieta, que dá acesso à Margem Direita do complexo marítimo, foi interditada ontem, interrompendo a chegada de veículos carregados com diversos tipos de cargas, inclusive contêineres, ônibus de passageiros e automóveis de passeio.
A categoria protesta contra o aumento no preço de combustíveis e os baixos valores dos fretes. As paralisações atingem, além de Mato Grosso e São Paulo, os estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, de onde vêm caminhões carregados com commodities e que seguem em direção a Santos.
Apesar disso, até o início da noite de ontem, a Companhia Docas ainda não havia detectado reflexos dos protestos na vinda das cargas agrícolas que serão escoadas pelo cais santista. A estatal tem como base o cumprimento do horário de chegada dos veículos nos pátios reguladores da região.
Além disso, a programação de recebimento dos caminhões nos terminais portuários está sendo respeitada. No entanto, caso os protestos continuem nos próximos dias, a estatal admite que o escoamento da safra agrícola pode ser prejudicado.
O aumento no movimento de caminhões carregados com a produção agrícola, em direção ao cais santista, está previsto para começar a ocorrer na próxima segunda-feira. Esses veículos partem, principalmente, de Mato Grosso, de municípios produtores de commodities como Rondonópolis, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Diamantino e Sinop, que estão com as saídas bloqueadas.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os bloqueios acontecem em trechos das duas principais rodovias federais no estado, a 163 e a 364. As duas estradas dão acesso ao terminal ferroviário da concessionária América Latina Logística (ALL) em Rondonópolis e aos portos de Santos e Santarém (PA). Por este motivo, as manifestações também podem impactar o escoamento dessas cargas pelos trilhos.
A ALL é uma das transportadoras ferroviárias que atendem o complexo portuário santista. Ela é a principal responsável pela chegada das cargas agrícolas do Centro-Oeste em trens na região.
Capacidade de embarque
Hoje, a Autoridade Portuária de Santos pretende iniciar um levantamento sobre a capacidade de recebimento de mercadorias dos terminais marítimos e quanto de carga está armazenado. A ideia é verificar se as instalações poderão dar conta da demanda de abastecimento dos navios, caso os protestos continuem pelos próximos dias.
Até agora, os embarques ocorreram normalmente no Porto de Santos, já que os terminais têm cargas estocadas em seus armazéns. De acordo com a programação da Codesp, pelo menos 18 navios vão chegar nos próximos dias, para o carregamento da soja.
As embarcações graneleiras que escalam em Santos carregam, em média, 60 mil toneladas da commodity cada uma. Como um caminhão pode transportar de 45 a 60 toneladas do grão, são necessários de 1 mil a 1,3 mil veículos para abastecer um desses cargueiros.
Os caminhões exigidos para carregar um navio graneleiro formariam uma fila de 66 quilômetros de comprimento. Esse número mostra porque o acesso aos terminais que operam grãos no Porto de Santos fica complicado.
Fonte: A Tribuna