Na segunda-feira (18), a moeda norte-americana fechou em alta de 0,87%, a R$ 5,3327.
O dólar opera em queda nesta terça-feira (21), após a turbulência nos mercados na véspera em meio às preocupações com a crise da gigante chinesa Evergrande e o risco de contágio na economia global.
Os operadores continuavam atentos à política monetária com o início nesta das reuniões do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central do Brasil, que se encerram nesta quarta-feira.
Às 12h13, a moeda norte-americana recuava 0,36%, cotada a R$ 5,3137. Veja mais cotações.
Já o Ibovespa opera em alta.
Na segunda-feira, o dólar fechou em alta de 0,87%, a R$ 5,3327, na maior cotação desde 23 de agosto (R$ 5,3823). Com o resultado, a moeda norte-americana acumula avanço de 3,15% no mês e de 2,80% no ano.
Cenário
Na cena externa, as atenções seguem voltadas para a crise da gigante chinesa Evergrande. A ação da segunda maior incorporadora imobiliária da China recuou 0,44% nesta terça-feira estendendo as perdas no mês a 47,93% e as quedas no ano a 84,76%, ainda refletindo os temores sobre um possível calote da companhia.
Em carta, o presidente da Evergrande tentou tranquilizar funcionários dizendo que o grupo sairá “em breve de seu momento mais obscuro”, enquanto o governo chinês ainda não deu sinais de que vai intervir para evitar qualquer efeito dominó na economia global.
Alexandre Netto, chefe de câmbio da Acqua-Vero Investimentos, disse à Reuters que é normal haver realização de lucros depois de movimentos acentuados nos preços dos ativos, mas alertou que ainda não há resolução definitiva à vista para os problemas da Evergrande.
“Isso ainda pode gerar problemas de liquidez e ter efeito de contágio, principalmente em economias que têm dependência muito grande da China, como é o caso do Brasil”, explicou.
Na cena política, o presidente Jair Bolsonaro fará nesta terça-feira o discurso de abertura do Debate Geral da 76ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York.
Juros no Brasil e nos EUA
O Banco Central do Brasil anuncia nesta quarta-feira a nova taxa de juros, com o consenso do mercado de que a Selic deverá ser elevada em 1 ponto percentual, a 6,25% ao ano, dando continuidade ao ciclo de aperto monetário mais intenso do mundo no momento.
Segundo o último Boletim Focus, os agentes do mercado já esperam inflação de 8,35% este ano. Já a taxa esperada para a Selic ao fim de 2021 subiu a 8,25%.
Juros mais altos no Brasil tornam o mercado de renda fixa doméstico mais atraente para o investidor estrangeiro, o que contribui para o ingresso de dólares no país e valorização do real.
Nos EUA, o Fed pode sinalizar nesta quarta um cronograma para a redução dos estímulos na maior economia do mundo e da redução da recompra mensal de títulos de US$ 120 bilhões. Embora boa parte dos mercados acredite que um anúncio definitivo de corte de estímulos pelo banco central norte-americano fique apenas para novembro ou dezembro, espera-se que haja alguma menção sobre o assunto no comunicado do Fed.
Segundo especialistas, um anúncio antecipado de reversão de suporte do Fed poderia prejudicar ativos de países emergentes, uma vez que a perspectiva de redução da liquidez global tenderia a redirecionar recursos para os EUA.
Fonte: G1 Economia