Moeda norte-americana subiu 2,51% nesta segunda-feira com piora do cenário externo.
O dólar subiu pela quinta sessão seguida e encerrou a segunda-feira (26) acima do patamar de R$ 3,90. A moeda norte-americana foi influenciada por um fluxo de saída de recursos em ambiente de aversão ao risco no exterior e cautela com o cenário político local.
A moeda norte-americana subiu 2,51%, cotada a R$ 3,9176. É o maior patamar fechamento desde 2 de outubro (R$ 3,9333).
Em cinco sessões consecutivas, o dólar já acumulou valorização de 4,75% ante o real.
Os investidores estão cautelosos com o encontro entre os presidentes norte-americano, Donald Trump, e chinês, Xi Jinping, no G20 no final de semana, as perspectivas de menor crescimento econômico mundial e ainda as negociações políticas locais.
Na quinta-feira, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) divulgará a ata de seu último encontro de política monetária. A expectativa sobre a trajetória dos juros norte-americano tem permeado os negócios, com os temores de enfraquecimento da economia global reforçando a leitura de que o Fed poderia ser mais suave nos aumentos da taxa. A previsão, por ora, é de mais cinco aumentos até o início de 2020, sendo dezembro o quarto deste ano.
Com o juro mais alto nos EUA e estável no Brasil – a pesquisa Focus desta segunda-feira trouxe perspectiva menor para a alta da Selic em 2019 –, o diferencial de juros entre os países também ajuda a sustentar a trajetória de alta da moeda ante o real.
O diretor da consultoria de valores mobiliários Wagner Investimentos, José Faria Júnior, lembrou que no final do ano é natural haver saída de recursos do país, com empresas remetendo recursos a suas matrizes, o que acaba por pressionar as cotações da moeda.
“Ao ultrapassar os R$ 3,85, o dólar pode facilmente tentar buscar os R$ 3,90”, explicou Faria Júnior à Reuters ao acrescentar que a agenda carregada nesta e na próxima semana, sobretudo nos EUA, pode ajudar a pressionar o câmbio local.
No exterior, o dólar passou a subir ante a cesta de moedas, e avançava ainda mais sobre as emergentes, com destaque para o desempenho ante os pesos argentino, mexicano e o Rublo.
Internamente, a movimentação política do governo eleito, que trabalha para anunciar os últimos nomes de sua equipe até o final da semana, deve seguir de pano de fundo e traz alguma cautela aos agentes.
O Banco Central vendeu nesta sessão 13,6 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 10,2 bilhões de dólares do total de US$ 12,217 bilhões que vence em dezembro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.
Fonte: G1 Economia