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Especialista alerta para possíveis impactos de dragagem

Gilberto Olympio Mota Fialho é engenheiro civil, professor da UFRJ

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o engenheiro civil Gilberto Olympio Mota Fialho se reunirá amanhã com o diretor-presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo, José Alex Oliva. No encontro, na capital fluminense, será debatida a participação do especialista no acompanhamento das pesquisas sobre a dragagem do canal de Santos, que serão elaboradas pela Universidade de São Paulo (USP). Confira as primeiras impressões do docente sobre os estudos que serão feitos sobre o cais santista.

Qual será sua atuação nos estudos que vão identificar os impactos da dragagem no Porto de Santos? Será uma consultoria?

Não está definido ainda. Tenho uma reunião semana que vem (sobre isso). Ele (o diretor-presidente da Codesp, José Alex Oliva) marcou comigo, mas não especificou o assunto. Falou que era dragagem, mas eu acredito que é esse assunto que a gente está conversando.

Qual sua impressão em relação ao projeto Santos 17, que defende o aprofundamento do canal do Porto?

Eu tenho uma opinião genérica, não em relação ao Santos 17 porque eu, naturalmente, não participei do estudo para defini-lo. Mas, de modo geral, quando nós aumentamos a profundidade de um estuário, como é o caso de Santos, temos que tomar cuidado com alguns impactos que podem acontecer em termos de penetração da cunha salina (entrada da água salgada no estuário, onde há água doce, vinda de rios), porque nós vamos mudar o padrão de penetração da maré no estuário. Então, é preciso tomar cuidado em relação a isso. Acho que o principal elemento que tem que ser definido é saber a quantidade de reassoreamento.

Isso tem relação com o total de sedimentos a serem dragados?

Santos é uma região que tem muito assoreamento. Tem um índice de dragagem bastante alto, um volume bastante alto. Então, à medida que a gente aprofunda o canal, o que para a navegação e para o Porto é uma coisa boa, a gente precisa se preocupar com esse assoreamento e com um volume de dragagem que será necessário. A dragagem que eu estou dizendo é manutenção.

Há quem aponte a dragagem do Porto como uma das principais causas da erosão na Ponta da Praia. Esta suposição está correta?

Pode. Quando aumentamos a dragagem, ela pode mudar o padrão de penetração das ondas e isso acontece muito em canais de acesso portuários. Quando aumentamos a profundidade de canal de acesso mediante dragagem, ela muda o padrão de propagação das ondas e pode contribuir para alterar a geografia costeira. Mas tem que estudar para verificar a origem do problema.

E em quanto tempo os especialistas poderão ter essas respostas?

É um estudo que depende de modelagem. Ele não é tão rápido. Eu diria que o problema de fazer esse estudo é ter as informações, todos os dados. Tendo os dados, coisa que nem sempre acontece, não sei se em Santos já teria, leva uns seis meses, mais ou menos. Mas estou falando por alto, sem aprofundamento, por enquanto.

Fonte: A Tribuna.