Para especialista o Brasil tem um déficit muito grande de infraestrutura e poucos acordos de comerciais
O Synergy, evento realizado pela Thomson Reuters, na última terça- feira, (28), reuniu diversos especialistas para debater entre outros temas a estrutura tributária brasileira, os desafios das empresas e do País para ganhar dinamismo e recuperar potencial de crescimento sustentável, além de discutir o cenário do comércio exterior brasileiro e as possíveis mudanças no médio prazo.
Segundo o ex-secretário de Comércio Exterior e especialista em defesa comercial e negociações internacionais, Welber Barral, o comércio exterior faz parte de um percentual bem menor que o PIB brasileiro. Além disso, as tarifas brasileiras e a competitividade de importação foram algumas das dificuldades citadas pelo especialista vividas pelo País.
“Uma outra questão é que o Brasil é um país com um número muito pequeno de acordos comerciais, muito inferior a América Central, por exemplo”, diz.
O executivo explica que a balança comercial brasileira teve uma evolução bem significativa de 2004 até os dias de hoje, com exceção de 2009, que foi a época da crise econômica brasileira. Porém, ressaltou que essa evolução foi feita com os mesmos portos, aeroportos, rodovias e ferrovias existentes hoje, fato esse que mostra um déficit muito grande em infraestrutura.
Outro problema destacado por Barral é a falta de uma secretaria aduana no Brasil. “O que torna o processo não só inadministrável como também complexo”, pondera.
Barral alertou ainda para um possível déficit na balança comercial esse ano. “Todo o governo Dilma deu pouca relevância aos acordos de livre comércio. Nós não temos nenhum acordo de investimento e temos poucos acordos de tributação”. Segundo ele, um dos desafios do Brasil para 2015 é atualizar esses acordos de bitributação para que o País possa ter mais segurança jurídica.
Hoje 70% do PIB brasileiro, explicou, é de tributação de serviços, que tem um déficit estrutural e uma eficiência muito baixa. Para o especialista o país precisa acabar com o excesso de burocracia para se tornar mais eficiente.
“O risco do Brasil hoje é que não há investimento suficiente na infraestrutura e excesso de projetos que não podem ter continuidade exatamente por não ter os investimentos necessários”, finalizou.
Fonte: Guia Marítimo