Pré-market registra perdas diante da preocupação com o impacto econômico da Covid-19
SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em queda nesta sexta-feira (15) acompanhando o movimento dos futuros das bolsas dos Estados Unidos. Lá fora, como aqui, os investidores se atentam a indicadores que mostram o tamanho do impacto da pandemia de coronavírus na economia.
No Brasil, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 5,9% em março na comparação com o mês anterior. A expectativa mediana dos economistas do mercado compilada no consenso Bloomberg apontava para uma queda de 5,95%. O indicador é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).
Na comparação anual, o IBC-Br caiu 1,52%, ante projeções de uma retração de 2,4%. Em fevereiro, o IBC-Br havia crescido 0,35% na comparação mensal e 0,6% na base anual.
Às 09h14 (horário de Brasília) o contrato futuro do Ibovespa para junho caía 0,33% a 79.155 pontos. Já o dólar futuro para o mesmo mês tinha alta de 0,62% a R$ 5,861. O dólar comercial, por sua vez, avança 0,43%, a R$ 5,8436 na compra e R$ 5,8453 na venda.
A produção industrial chinesa cresceu 3,9% em abril (acima das projeções de 1,5%). Por outro lado, as vendas do varejo no país asiático caíram 7,5%, mais que estimativa de queda de 6%. Nos EUA, atenção para dados de vendas no varejo e produção industrial.
Os futuros do petróleo estão em leve alta, impulsionados pelo indicador industrial chinês de abril – a China é a maior importadora de petróleo do mundo -, além de cortes de produção e sinais de melhora da demanda.
O minério de ferro sobe a US$ 90 a tonelada pela primeira vez desde março, à medida que os investidores se preocupam cada vez mais com o impacto da pandemia nos embarques brasileiros com o país se tornando um novo epicentro global da doença. O surto de vírus no estado do Pará é particularmente preocupante para o mercado da commodity.
Política
A transcrição fornecida pela Advocacia Geral da União (AGU) da fatídica reunião ministerial de 22 de abril mostra que o presidente Jair Bolsonaro, ao contrário do que declarou, cita em voz a Polícia Federal, ao dizer que iria interferir na atuação da polícia judiciária nacional.
O mandatário classifica como “vergonha” não ter acesso a informações de órgãos de inteligência e avisa: “Por isso, vou interferir. Ponto final”, de acordo com jornais O Globo, Estadão e Folha de S. Paulo. A transcrição foi entregue ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga a denúncia do ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro.
Em videoconferência na tarde de ontem com empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Bolsonaro incitou a entidade a enfrentar o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e lutar contra um possível “lockdown” (tranca-rua), que pode ser declarado hoje pelo governador para frear a epidemia do coronavírus, que já matou mais de 4 mil pessoas em São Paulo e 13,9 mil no Brasil. Doria pediu a Bolsonaro que abandone o “discurso de ódio” e “comece a ser um líder”.
Por outro lado, Bolsonaro reúne-se com Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, e diz que vivem em harmonia, indicando um alívio na tensão política que vinha preocupando os investidores. Maia teria sugerido debate do veto ao reajuste com governadores e defendido reformas no pós-crise.
Ainda do lado fiscal, o Ministério da Economia recomenda dois vetos a projeto de ajuda a estados. A permissão para reajustes salariais aprovada pelo Congresso tem perda potencial de R$ 120 bilhões nos próximos 18 meses, segundo a nota do ministério.
Mercado de trabalho
O governo federal estima que o Brasil encerrará 2020 com a perda de 3 milhões de postos de trabalho formais, informa o jornal O Globo. Se a projeção for confirmada, será a maior destruição de vagas com carteira assinada da história recente do Brasil, e o mercado formal voltará aos patamares de 2010. Na recessão entre 2015 e 2017, foram destruídas 2,9 milhões de vagas formais.
Noticiário corporativo
O noticiário corporativo é movimentado, com destaque para a Petrobras, mas atenção também para os números de Suzano, B3, JBS, CSN, entre outras companhias (veja mais clicando aqui).
A Localiza, maior locadora de carros do país e que teve lucro líquido de R$ 230 milhões no 1º trimestre, informou que o aluguel e a venda de seminovos despencaram do 1º trimestre para abril, com a taxa de utilização caindo de 78,2% para 53%, enquanto a diária média recuou de R$ 69,22 para R$ 47,00. A empresa disse que tem R$ 2 bilhões no caixa para atravessar a crise provocada pela epidemia. Já a Light, concessionária de energia no Rio, informou que alocará R$ 315,3 milhões dos dividendos de 2019, que deveriam ser pagos aos acionistas, mas irão para o caixa da empresa para atravessar a recessão.
Ainda haverá a estreia das ações da Allpark/Estapar no Novo Mercado da B3.
Fonte: InfoMoney