Uma das empresas já deixou de receber 11.500 caminhões com cargas.
O incêndio que atinge os tanques com combustível do terminal da Ultracargo, na Alemoa, desde a última quinta-feira(2), prejudica parte das operações do complexo marítimo. A suspensão do tráfego aquaviário nas proximidades da instalação já impediu a atracação de dez navios, segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária.
E um terminal de contêineres já deixou de receber 11.500 caminhões carregados. O impacto tende a aumentar com a proibição da chegada de veículos de carga à Margem Direita do Porto (onde está Santos), medida implantada nesta segunda-feira(6).
De acordo com a Codesp, os cargueiros com a atracação atrasada têm como destino o Terminal de Granéis Líquidos da Alemoa (Tegla), que fica nas proximidades da unidade da Ultracargo. As operações naquela região foram suspensas pela Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) para minimizar riscos de novos focos de incêndio. Não há previsão para a normalização dos trabalhos.
A atracação de cada um dos cargueiros que seguem para o Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplan) e ao terminal da Usiminas, em Cubatão, está sendo avaliada pela Autoridade Marítima. Isso ocorre pois os berços das duas instalações ficam no Canal de Piaçaguera, cuja entrada fica em frente à Alemoa. De acordo com o capitão-de-mar-guerra Ricardo Fernandes Gomes, comandante da CPSP, a análise leva em conta, principalmente, a carga transportada nas embarcações. A Autoridade Marítima verifica se o carregamento não pode pegar fogo com o forte calor.
Outra instalação que teve as operações prejudicadas foi a Brasil Terminal Portuário (BTP), especializada na movimentação de contêineres e que fica na Alemoa, ao lado do Tegla e quase em frente aos tanques da Ultracargo. Logo após o início do incêndio, os navios que estavam operando foram retirados e os trabalhos, inclusive a recepção de cargas no pátio, interrompidos.
A empresa retomou as atividades apenas no último domingo, às 19 horas. Mesmo assim, um de seus três pontos de atracação está sendo usado pelos rebocadores que atuam no combate às chamas. A BTP ainda não contabilizou os prejuízos. Mas, desde o início do incidente, seis navios deixaram de atracar em seu cais. Foram 7.200 contêineres que deixaram de ser carregados ou descarregados.
Trânsito
Apesar de já ter retornado às suas atividades de embarque e desembarque de navios, a BTP é prejudicada pela proibição da chegada de caminhões. Segundo a empresa, de quinta-feira (início do incêndio) até segunda-feira(6), cerca de 11.500 veículos de carga deixaram de ser recebidos.
O veto à vinda de caminhões a Santos foi uma determinação do gabinete de gestão de crise instalado pela Prefeitura de Santos e por autoridades estaduais e federais no último sábado, terceiro dia do incêndio da Ultracargo. A medida, que continua hoje, é avaliada ao final de cada dia. Há a expectativa é de que o trânsito de veículos pesados permaneça suspenso até sexta-feira(10).
Outros terminais de contêineres da Margem Direita já sentem os impactos da proibição em suas rotinas operacionais. É o caso da Rodrimar, cuja instalação fica no Cais do Saboó, vizinho à Alemoa. Não houve paralisação nas operações dos navios, mas a empresa está operando com um quadro mínimo desde as 13 horas da última quinta. Segundo a companhia, o principal impacto está na retirada de contêineres de importação. E este problema só será resolvido quando for normalizado o tráfego de caminhões na Rodovia Anchieta e na entrada do Porto.
O Ecoporto Santos sente os reflexos da proibição em seu depósito de contêineres vazios (Depot), que fica na Alemoa e teve de ser fechado. Os serviços de estufagem (armazenagem de cargas) em contêineres, que eram realizados na unidade, foram transferidos para outro pátio. As atracações, em seu terminal no Saboó, acontecem normalmente.
Na Libra Terminais, que opera contêineres na Ponta da Praia, a atracação de navios não foi prejudicada. Mas com a interrupção do tráfego de caminhões, o temor é que comece a faltar cargas nos pátios em cerca de três dias.
O Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) considera que o momento é de união de esforços. Por isso, se coloca à disposição para auxiliar o município, o gabinete de crise e a comunidade.
Fonte: A Tribuna