“O serviço (de cabotagem) precisa ser mais ágil para se tornar mais atrativo”, pondera Sena.
O presidente do Comus acredita que o início das operações nas instalações da Brasil Terminal Portuário (BTP) e da Empresa Brasileira de Terminais Portuários (Embraport) poderá agilizar o atendimento aos navios no Porto a curto ou médio prazo. E também irá ampliar a competitividade. Serão dois processos que vão facilitar os serviços de cabotagem. “Quem for mais rápido, consegue o serviço”, lembrou.
Outro obstáculo ao desenvolvimento da cabotagem é o que Sena denomina “resistência cultural”. Tal fator impede que o serviço possa ser, de fato, a primeira opção para o transporte da carga pela costa brasileira e até pelos países vizinhos, pertencentes ao Mercado Comum do Sul (Mercosul). Os usuários, segundo ele, ainda têm desconfiança, uma vez que as rodovias, com os caminhões, oferecem garantias como a própria agilidade, mesmo que os aspectos negativos sejam maiores do que os positivos.
“Na estrada, a carga pode ser roubada e danificada e o caminhão polui mais. Pelo mar, vemos o barateamento do serviço, tornando-se atrativo, além do material permanecer totalmente intacto da procedência até o destino”, pondera.
O representante dos usuários dos portos paulistas explica que as estradas são escolhidas hoje em razão dos gargalos. Entre eles, estão as limitações encontradas nos complexos portuários, que causam incerteza e falta de confiabilidade no sistema, mesmo que possua mais vantagens. “Ninguém quer ter a carga parada no meio do mar porquê o navio não consegue entrar no porto por falta de calado. São questões que o Governo precisa resolver de forma definitiva”, critica, referindo-se à perda de profundidade no canal de Santos no início do ano, devido à interrupção no serviço de dragagem.
Fonte: A Tribuna