Câmara define veto a reajuste de servidores após derrota do governo no Senado; bolsas mundiais estendem queda e mais destaques desta sessão
O tom mais pessimista adotado pelo Federal Reserve (Fed, o bc americano) sobre a recuperação da economia dos Estados Unidos elevou a aversão ao risco em nível global.
No Brasil, a nova preocupação é com a derrubada, pelo Senado Federal, do veto presidencial que impedia reajustes de salários dos servidores públicos até o final do ano que vem. Agora, a equipe econômica trabalha para reverter essa medida na Câmara dos Deputados. A decisão será analisada na Câmara hoje, a partir das 15h, e líder do governo confia em manutenção do veto.
Na esfera corporativa, a Sabesp divulgou fato relevante para afirmar que não há definição sobre sua reorganização societária e capitalização.
O tom mais pessimista adotado pelo Federal Reserve (Fed, o bc americano) sobre a recuperação da economia dos Estados Unidos elevou a aversão ao risco em nível global. As Bolsas europeias operam em queda e os futuros de Nova York operam em terreno negativo.
Na terça-feira, o Fed divulgou a ata de sua última reunião e mostrou que a recuperação da crise causada pela pandemia da Covid-19 é “altamente incerta”. O anúncio foi feito quando o mercado europeu já estava fechado.
Nesta manhã, o DAX, de Frankfurt, registra desvalorização de 0,82%.
“Ainda há uma grande incerteza em torno da trajetória do coronavírus e o que isso pode significar para o crescimento econômico”, disse, à Bloomberg, Jim McDonald, estrategista-chefe da Northern Trust.
Com essa sinalização de recuperação mais difícil, cresce a expectativa para que democratas e republicanos cheguem a um acordo sobre um novo pacote de estímulo a economia.
Os futuros do Dow Jones caem 0,28% e os do S&P 500 recuam 0,25%.
E os conflitos geopolíticos são outra fonte de preocupação. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, alertou que Rússia e China não violem às sanções impostas ao Irã.
Na Ásia, o Shangai SE recuou 1,30% e o Hang Seng Index, de Hong Kong, registrou desvalorização de 1,54%. Em Tóquio, o Nikkei 225 recuou 1%.
Soma-se ao cenário de maior aversão ao risco o avanço do novo coronavírus em várias partes do mundo, em particular na Coreia do Sul, e a decisão do Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) decidir manter inalteradas suas taxas de juros de referência para empréstimos de curto e longo prazos pelo quarto mês seguido, em 3,85% e 4,65%, respectivamente.
Veja o desempenho dos mercados, às 7h43 (horário de Brasília):
Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,25%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,04%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,28%
Europa
*Dax (Alemanha), -0,82%
*FTSE 100 (Reino Unido), -1,08%
*CAC 40 (França), -0,99%
*FTSE MIB (Itália), -0,91%
Ásia
*Nikkei 225 (Japão), -1% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -1,54% (fechado)
*Shanghai SE (China), -1,30% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -1,12%, a US$ 42,45 o barril
*Petróleo Brent, -1,08%, a US$ 44,88 o barril
**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de 1,40%, cotados a 848.000 iuanes, equivalente hoje a US$ 122,51 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,9217 (+0,01%)
*Bitcoin, US$ 11.781, -0,47%
No Brasil, a agenda de indicadores tem como destaque os dados de arrecadação de julho. A arrecadação de impostos no mês de julho deve ter alcançado R$ 112 bilhões, segundo estimativa mediana em pesquisa Bloomberg, acima dos R$ 86,3 bilhões registrados na medição anterior, mas ainda abaixo dos R$ 137,7 bilhões registrados em julho de 2019. A Receita Federal divulga o indicador às 14h30 em seu website e comenta o desempenho em coletiva de imprensa virtual às 15h.
Os dados sobre pedidos de seguro desemprego nos Estados Unidos serão divulgados às 9h30 (horário de Brasília), com a estimativa de 920 mil pedidos ante dado anterior de 963 mil. No mesmo horário, o Fed da Filadélfia divulga seu índice de atividade industrial.
Às 14h, a presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, faz pronunciamento.
O Senado Federal derrubou o veto presidencial que congelava os salários dos servidores públicos até o final de 2021. A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, tenta negociar com a Câmara para que o veto seja mantido.
Por meio da assessoria de imprensa, o ministério da Economia afirmou que está preocupado com a possível derrubada do veto e com as possíveis consequências para as contas públicas, em especial de estados e municípios.
Segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, sem o veto, as despesas da União, estados e municípios poderão aumentar R$ 98 bilhões.
O veto foi negociado ainda no primeiro semestre com o Congresso. O governo garantiria um pacote de R$ 120 bilhões de socorro financeiro a estados e municípios em troca do congelamento dos salários. No entanto, o então líder do governo na Câmara, major Vitor Hugo (PSL-GO), aproveitou apoio do presidente Jair Bolsonaro para negociar uma brecha para garantir reajuste para algumas categorias.
Essa brecha, no entanto, foi vetada por Bolsonaro após intervenção de Guedes.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, indicou nesta quarta-feira a extensão do auxílio emergencial, mas a um valor menor do que os R$ 600 reais atualmente pagos. Ao lado do presidente Jair Bolsonaro, disse que havia uma confiança mútua entre ambos.
Segundo a agência Reuters, o governo estuda uma medida provisória (MP) que manteria o auxílio para além de agosto, mas em um valor menor. Se o atual decreto for prorrogado, o benefício não pode sofrer alteração de valor.
Na quarta-feira, Bolsonaro afirmou que estava em busca de um novo valor pelo auxílio, sinalizando que R$ 200, valor defendido pelo governo no início da pandemia do coronavírus, seriam insuficientes, mas que a manutenção em R$ 600 era inviável.
Questionada pela CVM, a Sabesp divulgou um fato relevante para explicar o plano de capitalização da empresa anunciado pelo governador de São Paulo, João Doria. A companhia alegou que não tomou conhecimento sobre o plano de reorganização societária.
Segundo o fato relevante, a companhia buscou maiores informações com o seu controlador, o estado de São Paulo, e foi informada que não há decisão sobre um processo de capitalização porque o grupo de trabalho do Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização, instituído em 24/04/2019, não concluiu suas atividades.
E o fundo de investimentos de Abu Dabhi Mubadala está propondo injetar capital na produtora de etanol Atvos, mas apenas se os credores aceitarem menores pagamentos em uma reestruturação da dívida, segundo a agência Reuters.
A Atvos tem uma dívida em torno de R$ 15 bilhões. Nessa semana, a empresa teve o seu plano de reestruturação confirmado por um juiz do Estado de São Paulo, evitando a falência da empresa.
A companhia, antes conhecida como Odebrecht Agroindustrial, comprometeu-se a reduzir pela metade o nível de endividamento. A Atvos só começará a pagar credores em 2022, conseguindo fôlego para sobreviver, de acordo com o plano.
(Com Bloomberg e Agência Estado)
Fonte: Investing