Investidores repercutem aumento de incerteza depois de frustração com Renda Cidadã; cautela nas bolsas mundiais após alta da véspera e mais destaques
As bolsas mundiais estão caindo nesta manhã, em meio a expectativas sobre o primeiro debate presidencial nos Estados Unidos e preocupações sobre o aumento no número de casos de coronavírus ao redor do mundo. As bolsas europeias e os futuros de Wall Street operam em baixa, enquanto as bolsas asiáticas fecharam mistas.
No Brasil, o mercado digere o dia negativo vivido na véspera, quando o governo federal divulgou seus planos de financiar o programa social Renda Cidadã com recursos do fundo para educação básica (Fundeb) e verba de precatórios. A proposta foi considerada inconstitucional por vários órgãos da sociedade e causou grande turbulência nos mercados.
No Tribunal de Contas da União (TCU) e no Congresso, as duas propostas do governo foram vistas como uma forma de “contabilidade criativa”, mesma estratégia usada pelo governo Dilma Rousseff para melhorar o resultado fiscal do país, segundo a Folha de S.Paulo. No front internacional, o primeiro debate presidencial nos Estados Unidos está sob os holofotes. Ao mesmo tempo, o mundo atinge a marca de 1 milhão de mortos pelo coronavírus.
Já na esfera corporativa, a Hapvida anunciou a compra do Grupo Santa Filomena por R$ 45 milhões, enquanto a Vale informou o pagamento de US$ 5 bilhões de suas linhas de crédito rotativo com vencimento em junho de 2022 e dezembro de 2024. O IRB está preparando uma emissão de debêntures simples, em duas séries, no valor de até R$ 900 milhões.
Após forte alta da véspera, as bolsas mundiais operam em baixa nesta manhã, depois de uma recuperação na véspera, em meio a expectativas sobre o primeiro debate presidencial nos Estados Unidos. Os investidores também acompanham os novos casos de coronavírus ao redor do mundo, com as mortes globais chegando agora a 1 milhão de pessoas, com mais de 33 milhões de casos confirmados, segundo com dados da universidade Johns Hopkins.
Na Europa, o índice Euro Stoxx cai 0,43%, influenciado por quedas em praticamente todos os setores. O DAX, da Alemanha, cai 0,67%, enquanto o CAC, de Paris, recua 0,38% e o FTSE 100, de Londres, perde 0,66%. Ao mesmo tempo, o FTSE MIB, da Itália, está estável.
Nos Estados Unidos, os investidores se preparam para acompanhar o primeiro debate entre o presidente Donald Trump e Joe Biden, sendo que a vitória de qualquer um deles deve causar algum movimento no mercado. Os futuros do S&P 500 caem 0,08%, enquanto os do Dow Jones recuam 0,06%. Os futuros da Nasdaq têm queda de 0,20%.
Além disso, a expectativa sobre o estímulo à economia dos Estados Unidos influencia os investidores. Ontem à noite, os democratas revelaram um pacote de US$ 2,2 trilhões de estímulos, menor do que o inicialmente proposto, mas acima do que os líderes republicanos ofereceram.
Já na Europa, libra avança em meio a especulações de que as negociações comerciais bem-sucedidas do Brexit poderiam ajudar a proteger Reino Unido de uma ruptura confusa com a União Europeia.
Na Ásia, o mercado operou misto. No Japão, o Nikkei subiu 0,12%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,86% e o Shangai SE, da China, subiu 0,21%. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, registrou queda de 0,85%.
*Veja o desempenho dos mercados, às 7h13 (horário de Brasília):
Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,08%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,20%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,06%
Europa
*Dax (Alemanha), -0,61%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,64%
*CAC 40 (França), -0,33%
*FTSE MIB (Itália), +0,06%
Ásia
*Nikkei (Japão),+0,12% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +0,86% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -0,85% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,21% (fechado)
*Petróleo WTI, -0,42%, a US$ 40,43 o barril
*Petróleo Brent, -0,40%, a US$ 42,26 o barril
Commodities e bitcoin
**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com vencimento em janeiro de 2021 fecharam em alta de 1,43%, cotados a 780.500 iuanes, equivalente hoje a US$ 114,48 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,81773
*Bitcoin, US$ 10.746,57, -1,02%
O mercado acompanha hoje a divulgação do IGP-M: o índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) teve alta de 4,34% em setembro, contra um avanço de 2,74% em agosto. Com este resultado, o índice já acumula alta de 14,4% no ano e de 17,94% em 12 meses.
Nos Estados Unidos, a pesquisa do Conference Board sobre confiança do consumidor será revelada às 11h.
Os PMIs da China saem às 22h e devem mostrar uma ligeira melhora na produção de setembro, enquanto o setor não manufatureiro moderou em relação ao nível de agosto.
Os investidores vão seguir acompanhando os passos do governo federal, depois de um dia de forte turbulência nos mercados. O anúncio das medidas para financiar o novo programa social do governo, chamado de Renda Cidadã, caiu tão mal no mercado financeiro que os assessores próximos do presidente Jair Bolsonaro começaram a defender uma mudança, de acordo com o G1. A ideia seria abandonar a rolagem de precatórios para bancar o novo programa social, segundo o portal.
A proposta de rolar o pagamento dos precatórios foi criticada por várias frentes da sociedade. Mesmo sem a trava, esse estoque de dívida relativo a estas decisões judiciais já supera R$ 70 bilhões, segundo a Folha. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou uma nota dizendo que adiar o pagamento de precatórios é inconstitucional.
A ideia de usar recursos do fundo para educação básica (Fundeb) também desagradou. Entidades como a Rede Brasileira de Renda Básica e o Todos pela Educação alertaram que ideia é inconstitucional, segundo o Estadão.
No Tribunal de Contas da União (TCU) e no Congresso, as duas propostas do governo foram vistas como uma forma de “contabilidade criativa”, mesma estratégia usada pelo governo Dilma Rousseff para melhorar o resultado fiscal do país, segundo a Folha de S.Paulo.
Entre os auxiliares do ministro Paulo Guedes (Economia), a solução também foi vista como uma “pedalada”, de acordo com o jornal. Auxiliares do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e líderes da oposição fizeram a mesma crítica.
Ontem, a reação foi tão negativa que o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) fez uma teleconferência com participantes do mercado financeiro para entender a leitura do mercado, segundo o Valor Econômico. O índice Ibovespa foi para baixo de 95 mil pontos, enquanto o dólar subiu a R$ 5,63, e a curva de juros futuros se estressou.
De acordo com o Estadão, limitar o pagamento dos precatórios a 2% da receita corrente líquida pode liberar até R$ 40 bilhões para o novo programa social do governo, o Renda Cidadã, segundo cálculos de técnicos do Legislativo. No entanto, o jornal mostrou que proposta semelhante já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Outro tema importante é a criação de um novo impostos sobre pagamentos, nos moldes da antiga CPMF. Até o momento, a ideia não recebeu apoio necessário da base parlamentar do presidente Bolsonaro. Com isso, segundo a Folha, a entrega da segunda fase da proposta de reforma tributária foi adiada novamente. De acordo com o líder do governo na Câmara, o Executivo só vai apresentar o texto se houver 340 votos favoráveis.
Além disso, chama atenção a notícia de que a dívida pública federal aumentou 1,56% e chegou a R$ 4,412 trilhões em agosto. Apesar de certos indicadores mostrarem melhora devido a um ambiente externo mais favorável, o Tesouro Nacional afirma que há incerteza de investidores sobre as contas públicas brasileiras. Isso tem limitado os números e pressionado taxas de juros no longo prazo, segundo a Folha.
Sobre a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), a expectativa é de que Bolsonaro fará uma indicação no último minuto para evitar que o nome escolhido fique exposto a um desgaste público. Isso porque a antecipação da aposentadoria de Celso de Mello gerou pressão de grupos políticos, jurídicos e evangélicos sobre o presidente Bolsonaro, de acordo com o Estadão. No Senado, a expectativa é que a indicação ocorra por volta de 15 de outubro.
Outro foco de atenção são as decisões anunciadas ontem pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) derrubando a proteção ao desmatamento em manguezais e restingas. Logo depois de serem apresentadas, as medidas foram alvos de uma série de questionamentos judiciais, segundo o Estadão.
Já na esfera corporativa, a Boa Vista confirmou preço de R$ 12,20 por ação em IPO, no centro da faixa indicativa, em uma oferta que movimentou R$ 2,17 bilhões. A Hapvida anunciou a compra do Grupo Santa Filomena por R$ 45 milhões, enquanto a Vale informou o pagamento de US$ 5 bilhões de suas linhas de crédito rotativo com vencimento em junho de 2022 e dezembro de 2024.
O IRB está preparando uma emissão de debêntures simples, em duas séries, no valor de até R$ 900 milhões. Além disso, a Braskem foi autuada pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, enquanto a CCR e a EzTec vão pagar dividendos.
Fonte: InfoMoney