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Paulo Henrique Cremoneze: ano novo, mas velhos problemas

Vazamento de óleo que contaminou centenas de praias brasileiras e a questão do calado do Porto de Santos seguem sem resolução.

 

Em primeiro lugar, feliz e abençoado 2020 a todos os amigos leitores.

Primeira coluna do ano e do que tratamos? Do que não foi feito ano passado. Um problema antigo e outro, novo.

Comecemos pelo novo, já que estamos no ano novo, com o perdão pelo trocadilho não tanto feliz. Viramos o ano, mas não uma página trágica, a do desastre ambiental mais severo havido em águas territoriais brasileiras: o vazamento de óleo que contaminou centenas de praias da região nordeste e algumas da região sudeste, incluindo partes do litoral do Estado de São Paulo.

Até o presente momento, o Brasil não foi capaz de apontar o verdadeiro responsável pelos danos ambientais sem precedentes na história. Lamentável, para dizer o mínimo!

Meses de investigação e absolutamente nenhum resultado concreto, positivo. Os danos ambientais e os prejuízos bilionários ficarão literalmente a ver navios, já que nenhum navio foi apontado como o causador do sinistro.

Pouco depois do desastre, escrevi um artigo para esta mesma coluna expondo a urgente necessidade de o país identificar precisamente o navio protagonista do sinistro para que as medidas políticas, administrativas e judiciais fossem devidamente tomadas contra quem de Direito.

Cogitei até mesmo a possibilidade de se responsabilizar o Clube de Proteção e Indenização do navio, a fim de se garantir o sucesso dos pleitos de reparação civil ou de ressarcimento em regresso por todas as vítimas dos danos e prejuízos, incluindo o próprio país.

Infelizmente, preguei no deserto e vi as esperanças de uma solução rápida e eficaz naufragar como as esperanças daqueles que adentraram, adentram e adentrarão no Inferno de Dante Alighieri.

A resposta do Brasil foi e é muito falha, constrangedora. O país mostrou ao mundo não ter um bom plano de contingenciamento de danos e que não é capaz de punir quem tanto mal lhe causou. Isso é muito grave e faz aumentar no povo a sensação desconfortável de impunidade.

Fala-se muito de meio ambiente no Brasil, mas sob as óticas e perspectivas das bandeiras

ideológicas, não segundo a Verdade e o bem comum.

A incapacidade de o país responder rápida, eficaz e energicamente não só depõe contra sua seriedade, como esvazia a eterna busca por ascensão ao mundo desenvolvido e, pior, incentiva indiretamente que outros navios não respeitem as águas territoriais daqui, colocando a ganância imoral acima dos deveres ético-procedimentais.

 

Um longo e dolorido suspiro

O outro problema é antigo, de longa data, endêmico e, embora menos grave que o primeiro, depõe igualmente contra a dignidade do país. Falo do calado do Porto de Santos.

Entra ano, sai ano e o calado continua a atormentar, qual cadáver insepulto, o contexto logístico-estrutural brasileiro.

Sinceramente não consigo entender a dificuldade de a dragagem ser constante e continuamente feita no Porto, para que seu calado seja aumentado significativamente e

navios possam entrar e sair abarrotados de cargas sem maiores dificuldades, preocupações e riscos.

O Porto de Santos, a região e o país perdem muitos e muitos milhões de dólares por ano por causa do problema, prejuízos que vão bem além do chamado “frete morto”.

Resolver a questão crônica do calado é prioritária para o melhor fluxo das relações comerciais internacionais do País, para o fomento de riquezas e, mesmo, em um projeto

mais ousado, transformar o Porto de Santos em um grande alimentador dos portos menores do Brasil, incentivando-se a navegação de cabotagem.

A partir da solução do problema do calado, muitos outros serão igualmente solucionados ou, pelo menos, bem amenizados.

O desejo à grandeza tem que sair dos discursos retóricos, das plataformas políticas, e entrar no mundo da eficiência, dos atos concretos, dos projetos executados de desenvolvimento.

Todo o mundo que não se guia por falsas ideologias sabe que não existe almoço de graça.

E os que não confundem a elevada dignidade do sentimento religioso com a vulgaridade da crendice pueril também sabem que dinheiro não cai do Céu. Em assim sendo, é preciso empenho, seriedade, trabalho e vontade de fazer o que é certo para as grandes mudanças, as que beneficiam todos.

Por isso, a aposta na questão do calado tem que ser levada muito a sério e transformada em ações concretas. Espero não ter que repetir a mesma lamentação no primeiro texto do ano que vem, embora confesse certo ceticismo.

Mas como a desesperança é um pecado seríssimo e como o otimismo costuma me acompanhar, espero sinceramente que aqueles que têm poderes para tanto cuidem de solucionar o problema do calado do Porto de Santos, fazendo o País avançar um pouco mais na caminhada do desenvolvimento e do enriquecimento geral.

Que o primeiro texto de 2021 seja intitulado: ano novo e problemas já resolvidos!

 

Fonte: A Tribuna