Produtores brasileiros devem passar mais um ano de dificuldades por conta dos gargalos na logística e no armazenamento do agronegócio. Do total de 76 milhões de toneladas exportadas em 2013, os produtores levaram 86% do montante para os portos do Sul e do Sudeste – e causaram um desequilíbrio no setor – com as Regiões Norte e Nordeste responsáveis pelos 14% restantes.
Enquanto a produção total do País atinge 185 milhões de toneladas, a capacidade de armazenamento atual é apenas de 145 milhões.
“Quando nós tivermos um país com uma infraestrutura melhor de armazenamento, vamos reduzir a pressão sobre os portos, por conta do menor escoamento”, diz o coordenador executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira.
Segundo Ferreira, há diversos problemas na saída de grãos do Mato Grosso, maior estado produtor do Brasil.
“Na saída para o norte, nós precisamos concluir a pavimentação da BR-163 até Santarém e Miritituba [Pará], com adequação de capacidade. Na saída para a região noroeste do estado, precisamos que sejam feito o acesso aos novos terminais hidroviários de Porto Velho [Rondônia] e novas estações de transporte de carga para os terminais em rios”, observa.
Segundo a Pró-Logística, faltam 82 quilômetros para a conclusão do trecho até Miritituba e 146 quilômetros para Santarém. A entidade estima que ao final de 2014 faltarão 60 quilômetros para a finalização de ambos os trechos.
Atualmente, o Brasil possuí 20% da produção mundial de grãos, que apresentam taxas de crescimento satisfatórias.
“Nós temos uma produção crescente a cada ano, mas não há acompanhamento da dinâmica de infraestrutura viária e portuária. O modal rodoviário é mais ágil e o que atende melhor ao setor, mas não é o mais econômico”, alerta o secretário da Câmara Temática de Infraestrutura do Agronegócio, Carlos Alberto Nunes.
Com o objetivo de aumentar a capacidade do estoque doméstico, o governo brasileiro lançou no ano passado linhas de crédito especiais. Os produtores receberão R$ 5 bilhões por ano, ao longo dos próximos cinco anos, com juros de 3,5% e 15 anos para o pagamento. As mudanças devem ter grandes impactos no mercado. A expectativa é que o setor ganhe uma capacidade de 12,5 milhões de toneladas anuais.
Em uma explicação simplista, o secretário da Câmara Temática de Infraestrutura do Agronegócio, avalia que com a mudança na produção do setor, o estoque de terras foi migrando para o sul. Com a alternativa em direção ao norte, os portos ficaram mais distantes, e, portanto, com maiores custos. Com um modelo de transporte qualificado, seria indiferente escoar a produção por qualquer um dos polos.
“O que acontece é que dado o crescimento vertiginoso, o setor portuário não acompanhou em termos de infraestrutura. Se houvesse portos no Norte e no Nordeste com capacidade operacional, poderíamos utilizar todo o nosso excedente. Com as mudanças, estimamos uma economia de 700 quilômetros entre os trajetos”, analisa.
Inovação
O Porto de Paranaguá (Paraná) tem um novo processo de logística operacional. Os navios com menor quantidade de operadores ficam em uma fila “expressa”. Os demais, com mais 15 operadores, ficam alocados em outra fila e gastam cerca de dois dias no porto. “Vamos sugerir o modelo para Santos”, diz Nunes.
Fonte: Diário do Comércio e Indústria