Banner página

Notícias

Notícias

SEP e Anvisa definem normas para evitar contaminação de ebola

A Secretaria de Portos (SEP) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiram os procedimentos para evitar contaminações pelo vírus ebola nos portos brasileiros. Essas normas serão testadas no complexo santista entre os dias 20 e 24, quando será realizado um exercício simulando a chegada de um navio com tripulantes infectados.

Esses procedimentos estão reunidos em uma nota publicada pelos órgãos federais na última sexta-feira (3). Uma das regras acordadas prevê a realização de reuniões entre os envolvidos, para a definição de um plano de contingência. Também há a recomendação de se atualizar contatos e se disponibilizar recursos.

Outra recomendação prevê a organização de exercícios de mesa (reuniões onde se define como cada órgão atuará em casos suspeitos) e simulações com todos os envolvidos, para a validação de protocolos e procedimentos.

Inicialmente, conforme informação da SEP, o simulado da chegada, ao Porto de Santos, de um navio com tripulantes infectados pelo vírus ebola, seria realizado no dia 16. No entanto, o exercício foi transferido para a semana seguinte, entre os dias 20 e 24. O adiamento foi necessário pois não haveria tempo suficiente para prepará-lo. Será necessário preparar o trecho de cais onde a atividade ocorrerá e, também, conseguir uma embarcação para o treinamento.

O simulado seguirá as determinações da nota técnica elaborada pela Anvisa e pela SEP. Nele, o comandante da embarcação informará que um ou mais tripulantes apresentam sintomas de ebola, como febre e náuseas, além de hemorragia. A partir daí, o cargueiro ficará fundeado na Barra de Santos e será inspecionado pela Anvisa antes de entrar no complexo santista.

Os práticos, profissionais que orientam as manobras de atracação e desatracação no cais, poderão subir a bordo do navio com o caso suspeito. Eles vão embarcar utilizando equipamentos de proteção, que já foram testados. Foi comprovado que, mesmo vestindo os aparatos, eles conseguem subir a bordo.

De acordo com o capitão-de-mar-e-guerra Ricardo Fernandes Gomes, comandante da Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), caso seja viável, o navio poderá atracar no Cais da Marinha, localizado entre os armazéns 27 e 29. “Se não for no cais da Capitania, será em algum ponto da Margem Direita (Santos), pela facilidade de acesso e para garantir a agilidade na remoção”.

Após a remoção do tripulante com suspeita de ebola, a embarcação voltará para a Barra até que seja confirmada ou não a doença. O estado de saúde dos demais marítimos será acompanhado.

A epidemia de ebola está concentrada em países do Oeste da África, onde já matou mais de 3,4 mil pessoas. Entre as nações afetadas, estão Guiné, Serra Leoa, Libéria, Nigéria e Congo.

Remoção

Sobre as medidas para se evitar contaminações do vírus no Porto de Santos, o diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque, defende que o complexo marítimo tenha uma equipe do Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências (Grau) de prontidão, assim como acontece em aeroportos.

“Caso seja descoberto um caso de suspeita de ebola às 17 horas, vai demorar pelo menos três horas para que a ambulância chegue ao Porto. No deslocamento, é preciso contabilizar comboio, acidentes na Serra ou qualquer outro problema que possa acontecer no meio do caminho. Também é um absurdo que, em um estado como São Paulo, haja apenas uma maca bolha apropriada para a remoção de infectados”.

Fonte: A Tribuna